quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Como comecei a estudar investimentos? Parte II

No primeiro post da série expliquei brevemente os livros que me ajudaram a construir uma base no mercado de acionário. Neste post explicarei quais foram os outros livros que também me ajudaram a aperfeiçoar minhas técnicas de investimento. Li "Investindo em Ações para o Longo Prazo", "O Investidor Inteligente" e "A Bola de Neve" em 2012 e 2013, os livros citados neste post foram lidos nos anos de 2013 e 2014.

Quando li "A Bola de Neve" percebi que Warren Buffet citava com frequência Philip Fisher, um outro autor que até então eu desconhecia. Philip Fisher foi um renomado gestor de fundos de investimentos em ações e alcançou uma rentabilidade bem maior que seus concorrentes. Ao contrário de Benjamin Graham, que priorizava o investimento em ações depreciadas, sua técnica consistia em investir em ações de empresas que possuem vantagens competitivas em seu setor, dominam um nicho de mercado ou são a vanguarda em um novo setor. No livro "Ações Comuns, Lucros Extraordinários", Philip Fisher ensina como encontrar essas ações.

O Livro "O Jeito Peter Lynch de Investir" também me deu valiosos ensinamentos sobre a análise de empresas. Peter Lynch classifica as ações em três categorias quanto ao crescimento: a) crescimento lento: são empresas que crescem pouco e priorizam o pagamento de dividendos aos acionistas, são exemplos as concessionárias de energia que não investem muito em expansão e priorizam a remuneração dos acionistas; b) confiáveis: são as grandes empresas líderes de mercado, um exemplo no Brasil é a AMBEV, que tem um crescimento mediano e uma excelente rentabilidade; c) crescimento rápido: são as empresas que pagam poucos dividendos e priorizam a expansão de suas atividades, são exemplos as empresas de tecnologia que investem muito em pesquisa e expansão, mas distribuem poucos dividendos. Quanto às características especiais, Peter Lynch classifica as ações em três categorias: a) Cíclicas: empresas que dependem fortemente do preço de uma determinada commodity ou da expansão da economia; b) Ativos Ocultos: empresas que possuem ativos não precificados corretamente e que podem ser vendidos para conseguir lucro. c) Recuperação: empresas que estão se recuperando de vários prejuízos seguidos. No livro, Peter Lynch aborda a maneira e o momento certo de investir em cada tipo de ação.


Por fim, li o livro recomendado por Luiz Barsi Filho, "Faça Fortuna com Ações Antes que Seja Tarde". O livro, escrito por Décio Bazin, conta como o autor perdeu quase todo seu dinheiro com operações especulativas e alavancadas em 1969, no estouro da bolha da bolsa brasileira. Após isso, Décio Bazin, começou a investir baseado nas taxas de dividendos das ações em bolsa e conseguiu juntar uma pequena fortuna em alguns anos.

Recomendo fortemente a leitura desses três livros para o investidor que já tem algum conhecimento do mercado financeiro. O livro do Décio Bazin é o mais indicado para principiantes, ele mostra um método fácil para que investidores não profissionais tenham rentabilidades de longo prazo acima da média, já os outros dois livros são voltados para a análise mais detalhada de ações.


terça-feira, 27 de setembro de 2016

Como avaliar um Fundo de Investimento Imobiliário?


O objetivo aqui não é indicar, nesse momento, um determinado fundo de investimento imobiliário. Acredito que falando de uma forma mais genérica, conseguiremos ter a base necessária para aplicar a todos os FIIs disponíveis. Se sugerir um FII, dependendo do meu apetite ao risco pode ser bom para mim, porém, poderá não se encaixar totalmente nos seus objetivos. Aliado ao fato que tudo é mutável, ou seja, hoje um determinado ativo está valendo a pena, porém, amanhã ou na próxima semana, pode ser que não esteja tão vantajoso.

Gostaria, ainda, de salientar que existem diversas maneiras de avaliar um fundo de investimento imobiliário, eu, particularmente, gosto de analisar os ativos de uma forma mais simples num primeiro momento. Isso serve para fazermos uma peneira inicial daquilo que estamos procurando. Num segundo momento, iremos fazer uma análise aprofundada do que pretendemos investir. Desde já, acredito que devemos estudar com calma e dedicação, tirando nossas próprias conclusões. Não sou muito adepto do "ouvi dizer" ou, "li um comentário na internet", pois tudo isso pode influenciar nossas próprias ideias ou opiniões sobre os ativos.

Como escrevi em outro Post (Fundo de Investimento Imobiliário, vale a pena?), os FIIs são renda variável. O mais curioso disso é que, mesmo sabendo desta informação, às vezes queremos tratar a renda variável como renda fixa. Pessoalmente, já me assustei com variações na cotações, pois o capital pode variar muito em curtos períodos (temos que estar preparados para isso). Acabei ganhando mais confiança com o passar do tempo, pois renda variável - VARIA - essa ideia é tão óbvia que, se não massificarmos isso, acabamos por nos frustrar em quedas ou variações negativas nas cotações.

Há alguns aspectos essenciais que analiso, conforme seguem:

1) Liquidez, ou seja, é fácil comprar e vender? Muito provavelmente conseguiremos nos desfazer de uma posição que não nos agrada, porém, como estará a diferença entre compradores e vendedores? Haverá mercado para absorver uma possível venda ou compra? Temos que lembrar que quanto mais distantes os níveis de compra e venda (chamado Spread) mais difícil será nos aproximarmos ao preço que estamos pedindo, por exemplo, quero vender uma cota a R$ 100,00 e a melhor oferta de compra é R$ 90,00 ( Spread de R$ 10,00).

2) Vencimento nos contratos. Vou comprar um FII que seus contratos estarão vencendo, em grande parte, daqui a alguns meses ou no próximo ano. Pode acontecer de comprarmos numa cotação muito boa, porém, em virtude de um revisional de aluguel ou locatário, poderemos ficar "na mão" por algum tempo até acharem outro inquilino. Há excelentes FIIs com contratos de longa duração (mais de 10 anos inclusive)

3) Reajuste dos aluguéis. Os alugueis são reajustados? O que está especificado no contrato? Exemplo: muitos ativos são reajustados anualmente pelo IGPM ou IPCA, fazendo que o ativo não seja corroído pela inflação no período.

4) Qualidade dos locatários (multi inquilino/mono inquilino). Vejo, atualmente, que a diversificação dos inquilinos é um fator essencial. Vou dar um exemplo, o ativo NSLU11B é um imóvel locado ao Hospital Nossa Senhora de Lourdes. Vamos supor que, por algum motivo hipotético, o hospital resolva sair daquele local, procurar um local maior, etc. O fundo terá um impacto financeiro muito mais profundo do que um fundo com diversos inquilinos, um exemplo é o fundo BRCR11 que possui 13 imóveis de escritórios a maioria situada em São Paulo e Rio de Janeiro. (Ressalto aqui que são exemplos e não estou indicando ou sugerindo, tampouco falando que um é melhor que o outro)

5) Qual o impacto de uma recessão econômica? Certo, estamos comprando o FII ACDB (fictício) a longo prazo, está tudo maravilhoso, quando, de repente, entra um governo totalmente desorganizado, com políticas econômicas desastrosas (mera coincidência, blz?). Nesse exemplo iremos ver os inquilinos do ACDB solicitando saída do imóvel, pedidos de revisionais, atrasos no pagamento dos aluguéis. Nesse caso, iremos ver o rendimento despencar e a cotação cair. Como iremos avaliar isso? O fundo é mais flexível a períodos de crise ou é totalmente dependente?


6) Rentabilidade e cotação histórica. O fundo apresenta uma rentabilidade consistente? A cotação tende a se manter favorável a longo prazo? Ou o fundo só apresenta cotação e rentabilidades negativas (independente do período de compra).

7) Transparência da administradora do fundo (dados refletem a situação atual ou procuram omitir algumas informações?). Busco informações referente a composição da carteira do fundo, seus locatários, prazos de locação, caixa, vacância, situação financeira. A administradora consegue transparecer para o investidor tudo aquilo que está acontecendo? Ao entrar no site da administradora ou do fundo, consigo obter essas informações?

É fato que todo negócio terá seus percalços, porém como a administradora disponibilizará essa informação para os investidores? Há casos em que muitas omitem informações na busca de "maquiar" a qualidade do fundo.

8) Vacância atual. Como está a desocupação do fundo? Vale lembrar duas situações, tanto a compra de um FII desocupado, possibilitando ganhos futuros de uma possível locação ou a compra de um FII desocupado que está na UTI (cada vez pior).

Esses são alguns dos principais fatores que inicio minha busca por um fundo de investimento imobiliário. Há inúmeros outros fatores a considerar, porém acredito que estes são uma boa base para se começar uma pesquisa.

Bons investimentos.

domingo, 25 de setembro de 2016

Como comecei a estudar investimentos?

Minhas navegações no oceano dos investimentos começaram em 2012. Naquela época eu estudava e trabalhava (ganhava muito pouco) e resolvi investir o pouco dinheiro que tinha no mercado acionário por causa do meu pai e meus tios, que já eram investidores de longa data. Logo de cara, fracassei miseravelmente em dois investimentos: perdi 80% na OGX e 25% na CSN, depois disso vi que estava à deriva com o pouco conhecimento que tinha e decidi estudar os livros dos melhores investidores fundamentalistas.

O primeiro livro marcante que li em relação a investimentos foi "Investindo em Ações para o Longo Prazo", de Jeremy Siegel. O livro do Siegel é mais um estudo do investimento em ações desde o século XIX do que um manual para o investimento em ações. O livro demonstra que o crescimento dos lucros das empresas torna as ações melhores que os títulos em prazos de investimento maiores que 20 anos. Também são mostradas as estratégias que deram certo e as que deram errado, por exemplo, o investidor que faz muito giro de patrimônio, estatisticamente, tem bem menos chances de ter um desempenho melhor que um investidor que faz muito pouco giro de patrimônio.

Li, em seguida, o "Investidor Inteligente" de Benjamin Graham. Este livro é a "Bíblia" do investimento fundamentalista em ações. Benjamin Graham foi um investidor de muito sucesso e professor de Warren Buffet, ele conseguiu altos ganhos ao longo de sua carreira comprando as ações de empresas desprezadas pelo mercado. No livro, é ensinado como avaliar corretamente uma ação, como evitar erros de avaliação e quando o investidor deve vender uma ação.
Após ler o "Investidor Inteligente", meu tio me presenteou com a livro "A Bola de Neve" que conta a história de Warren Buffet, o mais bem sucedido investidor do mercado acionário de todos os tempos. O livro não é um manual como a obra-prima de Graham, mas dá dicas preciosas de como estudar as empresas. O que mais me marcou nesse livro foi o hábito de Buffet de conhecer todas as empresas listadas em Bolsa. Comecei essa tarefa ainda em 2012, analisei rapidamente todas as empresas listadas na Bovespa pelo site FUNDAMENTUS e entrei em todos os sites de RI, consegui, ao menos, conhecer superficialmente todas as empresas da bolsa.

O conhecimento adquirido nesses três primeiros livros me salvou de perder novamente uma grande parcela do meu capital em uma única operação. A análise fundamentalista tem como objetivo diminuir suas probabilidades de perda e aumentar as chances de ganho, como dizia Warren Buffet: "Regra número 1: nunca perca dinheiro. Regra número 2: nunca esqueça a primeira regra."

Estudar pelas obras dos investidores bem sucedidos e o trabalho deles é fundamental para ter sucesso nos investimentos. Sempre desconfie de pessoas que nunca conseguiram nada por elas mesmas e vendem fórmulas mágicas para investir.

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

O que desejar para nossa vida?


Estava refletindo essa semana o que nós mesmos desejamos ou queremos para nossas vidas. Todos querem dinheiro no bolso, todos quem ficar ricos rapidamente. Vemos a questão financeira como primordial, com ela podemos realizar nossos sonhos, ajudar familiares etc. Também ficamos presos, em vários momentos, a nossas planilhas para verificar a rentabilidade de nossos investimentos.

Queremos ficar ricos logo! Acertar uma operação que poderá satisfazer todos os nossos sonhos de consumo. Outros ainda, com uma só aposta, ganhar na mega-sena, fazem aquela "fezinha" para garantir o sonho do milhão. Ficamos presos a tela do Home Broker, tentando adivinhar um ativo que poderá nos deixar ricos da noite para o dia.

Todos nós buscamos a consequência final (independência financeira), sem pensar, em alguns momentos, nas atitudes que nos levará a tal resultado.

Então, o que desejar? Temos que buscar, sonhar, acreditar e, principalmente, desejar que nós tenhamos saúde suficiente para que consigamos realizar nossas operações. Devemos pedir a paciência, sabendo que operações "únicas" são difíceis e até impossíveis de acertar. Devemos pedir o auto controle, pois colocar nosso dinheirinho trabalhado todos os meses apela para o controle de nossos impulsos, deixar de gastar com algo a fim de pensar no futuro de nossa família. Devemos pedir a segurança de nossas ações para que consigamos acreditar naquela operação sem ouvir "boatos" de outras pessoas. Devemos pedir a dedicação para sentarmos todos os dias e estudarmos um pouco sobre o mercado financeiro. Devemos pedir a reflexão para sabermos qual o melhor momento para executar nossas operações. Devemos pedir atenção para que não cairmos em "micos" da bolsa.

Tudo isso, vejo que é muito importante, e acordar todo dia, sentar, começar a estudar é, algumas vezes, difícil, pois exige de nós diversas virtudes ou qualidades para executar tal atividade. Vejo que a consequência de tudo isso é o fruto de nosso trabalho e dedicação. A riqueza financeira virá naturalmente. Ainda, junto a ela, sem sabermos talvez, vamos desenvolvendo certas características que nos diferem de outros indivíduos que não buscam desenvolver suas próprias qualidades. Vejo que a consequência de tudo é baseado em nosso trabalho e em nosso esforço. A rentabilidade não virá por acaso, você lutou para isso! Você se esforçou para que conseguir um conforto maior para sua família!

Por fim, encerro minhas palavras pensando que devemos pedir saúde, paciência, dedicação, auto-controle, segurança, reflexão e atenção para que consigamos realizar nossos sonhos e objetivos.

Grande abraço a todos

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Discussão de Resultados: SLC Agrícola 2T16

SLC AGRÍCOLA:




A SLC é uma empresa com alta sazonalidade nos resultados. Mesmo com o prejuízo de 58 mihões, o resultado ainda pode ser considerado bom, porque a empresa faturará quase toda a produção de milho no segundo semestre e o preço do milho está extremamente favorável para os produtores. A empresa foi bastante prejudicada no trimestre por causa da seca mais severa no interior do Brasil.

A empresa é muito bem administrada e possui vantagens competitivas por sua expertise e localização estratégica de suas fazendas, porém o setor agrícola é muito volátil. A SLC é a empresa líder do segmento e uma das maiores empresas agrícolas do mundo, o que propicia ganhos de escala na sua produção. Algumas características do Brasil também favorecem a agricultura empresarial: grande quantidade de terras aráveis e clima e solo favoráveis.

No preço atual, acredito que a ação da empresa esteja bastante favorável para compra. Segundo minha opinião, a empresa lucraria 170 milhões em condições estáveis de câmbio e preço das commodities agrícolas. A possibilidade de ocorrência do fenômeno La Niña pode aumentar os lucros no próximo ano, na safra 2016/2017.

NOTA: B

SLC RI

domingo, 18 de setembro de 2016

1000



Desde já agradeço a todos que estão, junto com a gente, aprendendo e desenvolvendo novas ideias. Chegamos aos 4 dígitos (mais de 1000 views) em menos de um mês do desenvolvimento deste Blog. Sempre na busca da melhoria contínua. Grande abraço a todos. 

sábado, 17 de setembro de 2016

O que esperar do governo Temer?

Depois de 13 anos do amaldiçoado desgoverno do gângster de nove dedos e sua fantoche que cumprimenta os vegetais, o Brasil finalmente conseguiu respirar um pouco mais aliviado. Em menos de 200 dias, Michel Temer restaurou o uso correto da língua portuguesa, abolindo a palavra "presidenta" e reintroduzindo o uso da mesóclise.

Isso seria o suficiente para o início de um renascimento brasileiro?

O Governo Temer já obteve alguns avanços na área econômica, somente por ter uma reputação boa e não uma sequência de crimes e estelionatos cometidos contra a economia nacional. O desgoverno petista representava o coorporativismo e anti-capitalismo: altíssimos impostos, empresas amigas do governo favorecidas, mudanças arbitrárias de regras, utilização de dinheiro público para financiar milícias governamentais, entre outros inumeráveis crimes. 

O desgoverno petista vendeu o jantar para comprar o almoço entre 2009 e 2013 e agora pagamos o preço da má fé deles. Será uma tarefa árdua sanear o orçamento público, para isso será necessário cortar gastos públicos e, posteriormente, diminuir os juros, para que os gastos com pagamento de juros públicos diminuam. A criação de novas taxas, ou elevação de taxas é descabida, não há espaço para aumentar os impostos em um país em que os impostos representam quase 40% do PIB. O saneamento do orçamento público será suficiente para trazer de volta os investimentos estrangeiros no Brasil, que é um país com incontáveis oportunidades para o investimento estrangeiro, mas o risco político e o excesso de regulações e impostos inibem estes investimentos.

Michel Temer é uma raposa, um político habilidoso e paciente e uma pessoa com grande capacidade intelectual, para mim a maior qualidade dele é ser fisiologista, não possuir ideologias. Ele permaneceu, durante anos, aliado do desgoverno somente para conseguir ascender à presidência. Não conheço muito sobre as convicções do Temer, mas ele parece defender, assim como eu, a liberdade econômica e diminuição do estado.

Será extremamente difícil e demoraria décadas para transformar o Brasil em uma economia pujante e desenvolvida como a da Austrália, por exemplo, mas acredito na habilidade do Temer para salvar o orçamento e, pelo menos, trazer investimentos de volta e propiciar um crescimento econômico de, no mínimo, 2% em 2017.

O maior desafio para Michel Temer seria começar a salvação do Brasil na área cultural. Claro que isso é uma tarefa hercúlea e demoraria muitas décadas, mas sem que isso aconteça o Brasil nunca seria consertado e nunca renasceria. A renascença é uma restauração de valores culturais e morais que foram perdidos na história, o Brasil já foi um país respeitado, com cultura e economia pujante. Isso foi realidade na Era de Ouro do Império (1870-1889). Infelizmente, o Marechal Deodoro da Fonseca nos privou de um futuro áureo ao proclamar a república com um golpe militar, condenando o Brasil a sucessivos golpes, conflitos e crises.
Cédula de 1923 com a estampa de José Bonifácio. A substituição dos heróis nacionais por bichos e pela odiosa Efígie da República nas cédulas de dinheiro é apenas mais uma ação dos políticos para destruir a cultura e patriotismo no Brasil.
O primeiro passo para restaurar a cultura brasileira será expulsar os marxistas de seus espaços. Além de ser uma afronta ao povo brasileiro, a ocupação das universidades e mídia por agentes do marxismo cultural causa a destruição a educação. Esses agentes são os propagandistas de todas as ideologias prejudiciais à nação e fazem propaganda ideológica ao invés de ensinar e informar e, ainda, patrocinam os políticos com as ideologias esquerdistas mais asquerosas. A limpeza cultural deve ser feita de forma sutil, uma guerra declarada nunca seria vencida, mas a sucessiva ocupação de espaços ocupados pelos esquerdopatas seria altamente eficiente.

Não acredito que o Brasil não tenha salvação. O povo brasileiro deixa se enganar fácil pelas mentiras de políticos socialistas e populistas, mas continua conservador e deseja viver em uma sociedade com ordem.

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Análise Setorial: Material de Construção

O setor de material de construção é muito volátil e depende muito do crescimento econômico do país. Dados estatísticos indicam que o crescimento, ou encolhimento, do setor de materiais de construção é cerca de três vezes maior que o crescimento do PIB. Podemos observar isso nos dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (ABRAMAT):
Observa-se que em 2015 o PIB retraiu -3,8%, enquanto as vendas de material de construção das indústrias filiadas a ABRAMAT caiu 12,9% (diminuição 3,4 vezes maior). Claro que existem produtos que tem a demanda menos elástica que outros, tintas são utilizadas tanto em reformas como em construções novas, enquanto quase todo o cimento é utilizado em construções novas.

O investimento no setor de materiais de construção torna-se muito favorável quando o PIB nacional está prestes a iniciar um novo período de crescimento. Não sei se isso acontecerá ou não, muitos fatores influenciam o crescimento econômico, mas há enormes chances do Brasil, pelo menos, se recuperar da crise causada pelo desgoverno da escumalha petista.

Por causa da característica cíclica, acredito que pode ser lucrativo investir no setor nesse momento, porém deve-se usar diversificação e manejo de risco, porque este segmento é muito volátil. Minha crença é que este setor, no momento, é um investimento do tipo "ganhar aos baldes e perder de colher", porque os preços dos ativos do setor estão tão depreciados que qualquer recuperação econômica será suficiente para levantar os preços.

Conforme minhas últimas análises, chego à conclusão que a ordem de prioridade para investimentos nas empresas do segmento de materiais de construção e negociadas na Bovespa é:

1 - Eucatex
2 - Duratex
3 - Portobello
4 - Eternit

100 anos do Tanque de Guerra


                                          Tanque de Guerra Russo T-54 no Afeganistão 2013

Hoje, a fim de trazer um fato interessante, comemora-se a aparição do primeiro Tanque de Guerra na História mundial. Foi em setembro de 1916, durante a Batalha de Somme que foi utilizado esse grandioso instrumento de Guerra.

A Batalha de Somme, também conhecida como Ofensiva de Somme foi uma ofensiva de ingleses e franceses na região do Rio Somme (França) a fim de romper as linhas defensivas alemãs que estavam estacionadas naquele local. Com mais de 1,2 milhão de vítimas (entre mortos e feridos), foi uma das operações militares mais sangrentas da História. A batalha também marcou a estreia dos tanques de guerra.

Os Mark I Britânico foram apresentados como a solução para o combate estático da Guerra de Trincheiras.

Carro de combate em Londres 1917

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Discussão de Resultados: Eucatex 2T16

EUCATEX:


A Eucatex reportou lucro de 14 milhões no trimestre, mesmo com o péssimo momento do setor de construção civil, demonstrando a resiliência no modelo de negócios da companhia. Um ponto importante é que a desvalorização da dívida em dólares gerou um resultado positivo de aproximadamente 7 milhões, mas, mesmo assim, o lucro ainda foi muito bom comparado com o resto do setor.

A Eucatex fabrica madeiras compensadas (75% da receita), tintas (21% da receita) e outros produtos que correspondem a 4% da receita. A empresa possui uma dívida equilibrada e seu endividamento é menor do que o seu par na bolsa, a Duratex.

Um ponto que merece atenção é o grupo controlador, a família Maluf controla a empresa e acredito que todos conhecem a fama dos Maluf. De qualquer jeito, a empresa paga dividendos e não há indícios de nenhum caso de corrupção recente envolvendo a empresa. A remuneração dos administradores também é bem razoável, eles não recebem valores astronômicos, como ocorre em algumas empresas. Peter Lynch recomendava investir em empresas fora de moda e com má fama no mercado, geralmente o mercado exagera para baixo na precificação desse tipo de ação e surgem boas oportunidades de investimento.
A Eucatex reportou o melhor resultado do trimestre no segmento de construção civil. A empresa está valendo somente 268 milhões e há três anos atrás, quando o setor de construção civil andava bem, lucrava quase 100 milhões por ano. Acredito que nesse ano a Eucatex consiga um lucro de pelo menos 30 milhões, o que resultaria em um P/L de cerca de 9, o que é ótimo para uma empresa que tem potencial de aumentar muito os lucros.

Por fim, reafirmo minha crença na compra das ações da Eucatex, desde que, pela proteção da diversificação, elas ocupem uma pequena fatia do patrimônio total, defendendo a carteira da possibilidade de perder por causa de algum problema relativo ao controlador, mas permitindo que um ganho exponencial na valorização das ações melhore a rentabilidade da carteira.

NOTA: MB

Eucatex RI 

Fundo de Investimento Imobiliário, vale a pena?


Somos adeptos, neste Blog, da diversificação dos investimentos. Hoje abordarei um investimento que é, para algumas pessoas, ainda desconhecido. O FII ( sigla utilizada) é uma convergência de recursos atribuído à aplicação em ativos relacionados ao mercado imobiliário. Meu primeiro contato com os FII foi no ano de 2014, pois dois amigos (um deles é o Marcelo Barbarossa) estavam aplicando e retirando rendimentos mensais do mercado imobiliário, sem cobrança do Imposto de Renda e, melhor, sem terem comprado efetivamente um imóvel. 

Os FII são isentos, por lei, de IR, ao contrário de outras aplicações como CDB/TESOURO DIRETO. Nestas aplicações a alíquota varia de acordo com o prazo da aplicação: 22,5% do lucro para investimentos de até 180 dias; 20% para 181 a 360 dias; 17,5% para 361 a 720 dias e 15% para 721 dias ou mais. 

Como falei anteriormente, nos FIIs, não temos a incidência do IR, um dos motivos de ser interessante como diversificação de investimento. Desde já gostaria de deixar claro que os FII são aplicações em renda variável, ou seja, ocorrem variações em sua cotação. O controle emocional é muito importante, pois de nada adianta fazer uma aplicação esperando uma rentabilidade de 1% ao mês e vendermos, logo depois, com um prejuízo acumulado de -10%. Exemplo: Compra de 100 cotas de ADBK11(fictício) a R$ 10,00 = 100 x 10,00 = R$ 1000,00 e venda destas mesmas 100 cotas a R$ 9,00 (Prejuízo acumulado de R$ 100,00). Obviamente, o contrário também poderá ocorrer.

Na compra do FII o investidor estará comprando um "pedaço" do fundo e estará recebendo uma parte da rentabilidade desse fundo. Obviamente que é proporcional a aplicação. Como exemplo, a quantidade de cotas disponíveis no mercado do EDGA11b são 3.812.055, ou seja, quase 4 milhões de cotas. Para termos outra ideia, existem 4.414 cotistas desse fundo (dados de julho de 2016). Em suma, se aplicarmos nesse fundo, seremos mais um cotista a fazer parte desse ativo.

                                          Prédio do fundo EDGA11b no centro do RJ

Poderemos comprar o FII com o intuito de fazer trades (operações de compra e venda) ou poderemos manter em carteira por um bom período de tempo. Eu, pessoalmente, não compraria um imóvel para ficar vendendo constantemente . Por isso, atualmente, estou com uma perspectiva de me manter a longo prazo em fundos sólidos, podendo mudar esse pensamento de acordo com meus objetivos futuros. É essencial a pesquisa, o debate e o acompanhamento constante para não cairmos em ciladas, comprando fundos pouco expressivos com rentabilidades altas que, mais para frente, apresentam dificuldades financeiras, problemas de administração, vacância, fazendo com que fiquemos decepcionados.

Respondendo a pergunta inicial, vale a pena investir em FII? A resposta é depende do que o investidor procura. Ao aplicarmos em renda variável já sabemos que estaremos sujeitos a variações de cotações ( será que você estará preparado para isso?), problemas financeiros do fundo, entre diversas outras questões que poderão prejudicar sua rentabilidade futura. Pessoalmente, estou gostando bastante desse tipo de investimento, pois estou conseguindo aplicar no mercado imobiliário sem precisar efetivamente comprar um imóvel, com rápida liquidez e com rentabilidades atrativas. 

Esse post, teve como objetivo um explicação rápida desse mercado. Estaremos postando mais opiniões nos próximos posts sobre essa modalidade de investimento. Grande Abraço.

No site da BMF Bovespa poderá ter acesso aos FIIs disponíveis no mercado.
BMF

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Discussão de Resultados: Duratex 2T16

DURATEX:
Fábrica da Duratex em Agudos-SP

A Duratex praticamente zerou seu resultado líquido no trimestre, um avanço em relação ao prejuízo reportado no trimestre anterior, porém ainda necessita melhorar mais para se tornar um investimento viável. Desde o começo do ano a empresa vem reduzindo investimentos e buscando preservar o caixa, pois foi duramente atingida pela crise da construção civil e o aumento nas exportações de seus produtos não foi suficiente para compensar a perda de receita, suas fábricas ainda operam bastante aquém da capacidade operacional.

A Duratex é líder no segmento de madeiras e louças sanitárias (possui a marca Deca) e sua administração é muito boa. Caso as condições econômicas sejam restauradas no Brasil, acredito que a empresa volte a reportar lucros da ordem de 600M. A dívida é controlada e é totalmente compatível com o tamanho da empresa.

A empresa comprou uma empresa de madeiras compensadas na Colômbia, a Tablemac. Até o momento esse investimento vem sendo muito bem sucedido e reforça a tese na boa administração da companhia.

As ações da Duratex podem ser uma compra viável no preço atual de cerca de 8 reais. Apesar dos recentes prejuízos, acredito nos fundamentos de longo prazo da empresa e em uma rápida recuperação tão logo que as condições econômicas melhorem, dessa forma, pode ser interessante começar a montar uma pequena posição na empresa.

NOTA: R

Duratex RI

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

12 de Setembro: 333 anos da Batalha de Viena

Saudações, confrades! Deixo aqui minha homenagem aos bravos homens que deram suas vidas há exatamente 333 anos atrás, em 1683, para defender Viena e impedir o avanço do islamismo e do Império Turco Otomano na Europa.

Poloneses invadindo o acampamento dos turcos no cerco de Viena.
Viena estava cercada pelos turcos há dois meses quando o rei João III da Polônia-Lituânia chegou e venceu os turcos em batalha. Nessa batalha ocorreu a maior carga de cavalaria da história, 18 mil cavaleiros poloneses romperam as linhas turcas. A derrota dos turcos foi tão acachapante que eles nunca mais sitiaram Viena e perderam vários territórios nos Bálcãs para os austríacos.

A vitória austríaca no cerco de Viena foi decisiva para a manutenção da independência austríaca, onde, no século XX, surgiu a Escola Austríaca de Economia, que é a favor da liberdade de mercado e contra a intervenção e as regulações econômicas impostas pelo estado. A teoria econômica da Escola Austríaca é defendida pelos autores do Blog.

domingo, 11 de setembro de 2016

Por que poupar ganhando pouco?


Estou muito contente com a evolução do Blog (quase 500 views em 2 semanas), vejo que muita informação está sendo compartilhada aqui, com muitas ideias boas que poderão ajudar todos aqueles que estão buscando conhecimento sobre o mundo financeiro. Nosso amigo Marcelo Barbarossa consegue trazer dados técnicos e bem fundamentados sobre algumas empresas listadas em bolsa. Hoje tenho o objetivo de trazer um post mais subjetivo. Fazendo uma análise mais psicológica do motivo de poupar ganhando pouco dinheiro. Acredito que essa ideia serve para qualquer um que ganha um rendimento mensal fixo e, principalmente, para aqueles que não conseguem poupar nada ao término do mês.

De forma geral, vejo que a característica principal de conseguir guardar uma parte dos nossos rendimentos está na disciplina. É o condicionamento em manter-se focado nas tarefas necessárias para se buscar um objetivo/meta sem perder a motivação. Todos nós temos imprevistos em nossas vidas, todos nós não conseguimos fazer tudo aquilo do que gostaríamos. A principal situação que vejo, é que a pessoa que é desorganizada financeiramente em qualquer fase de sua vida, acaba se acostumando com essa rotina de nunca conseguir cumprir metas financeiras. Todo mês, toda semana, todo ano existe uma desculpa.  

Com certeza, em alguns momentos de nossas vidas, temos ou teremos imprevistos maiores. Algum problema médico, familiar, um filho que precisa de nossa ajuda, atraso salarial, enfim, são diversas variáveis que poderão nos acometer.  Entretanto, essas pessoas que reclamam dessas situações específicas tratam isso como se fossem as únicas pessoas que possuem esse tipo de problema. Por isso, tentam, de certa forma, justificar o próprio descontrole, com a imprevisibilidade normal e natural de nossas próprias vidas.

Voltando a pergunta inicial do título: Por que poupar ganhando pouco?
Por exemplo, se o indivíduo ganha 1 salário mínimo federal que, hoje, é de R$ 880,00 e economiza 10% deste salário (R$ 88,00), ao final do ano terá R$ 1056,00 ( R$ 88 x 12). A pergunta é a seguinte, realmente valeria a pena o sacrifício de guardar R$ 88,00 mensais para chegar ao fim de um ano inteiro para conseguir cerca de mil reais? Na realidade, olhando pelo lado monetário, o valor poderá não fazer muita diferença. O indivíduo pensa o seguinte: Poxa, vou ficar poupando um ano inteiro pra ao final conseguir "só mil reais"? Partindo deste lado, realmente não valeria a pena.

Mas o ponto em que quero chegar é que, se a pessoa não possui a disciplina de, desde nova, poupar um pouco do que ganha, para essa pessoa, quando ganhar mais, será muito mais difícil guardar qualquer montante de dinheiro. Já se acostumou, desde muito cedo, a nem tentar, postergando essa atitude quando estiver ganhando "bem mais". Só que, se esta pessoa, futuramente, começar a ganhar 5 salários mínimos (R$ 4400,00), muito dificilmente ela conseguirá guardar os mesmos 10% (que agora são R$ 440,00). Como não estava acostumada a guardar nunca, não tinha o HÁBITO, A DISCIPLINA em realizar esse procedimento, agora, possivelmente, continuará não tendo.


Depois que li o livro O Poder do Hábito (Charles Duhigg), verifiquei que grande parte de nossas ações são hábitos, ou seja, não precisamos efetivamente parar e refletir na hora para fazermos certas coisas ou praticarmos certas atividades.  Segundo o livro "Um artigo publicado por um pesquisador da Duke University em 2006 descobriu que mais de 40% das ações que as pessoas realizavam todos os dias não eram decisões de fato, mas sim hábitos"

O meu objetivo com essas palavras foi trazer um pouco da reflexão da maneira como encaramos essa "disciplina" todos os meses. Será que, se modificarmos pequenas atitudes com relação a isso, será mais fácil, no futuro, conseguirmos poupar um pouco mais?

Deixo essa reflexão para discutirmos
Grande abraço

Discussão de Resultados: Portobello 2T16

PORTOBELLO:

 
O resultado da Portobello foi fraco. A empresa conseguiu manter a lucratividade e lucrou 4 milhões no trimestre, mas ainda está muito distante dos 20 milhões trimestrais de lucro que ela obtinha em 2013 e 2014. O alto endividamento da empresa (3,4 vezes o EBITDA) prejudicou o resultado e foi consequência da decisão de construir uma nova fábrica no Nordeste em tempos de retração econômica.

A Portobello é a maior empresa de revestimentos cerâmicos da América do Sul. As suas vantagens competitivas são a qualidade da marca e a rede de distribuição por meio de uma rede de franquias com 145 lojas. A fábrica da Pointer em Alagoas, sua marca de cerâmicas de menor custo, ainda não conseguiu gerar resultados positivos para a empresa.

Na minha opinião, ainda não é hora de assumir uma posição grande na Portobello, pois a empresa é extremamente dependente do crescimento econômico, o setor de materiais de construção é muito cíclico e ainda pode demorar alguns anos até que o setor se recupere. Pode ser viável assumir uma posição pequena para esperar a retomada econômica.

NOTA: R

Portobello RI 

sábado, 10 de setembro de 2016

Discussão de Resultados: Eternit 2T16

ETERNIT:
 
Fábrica da Eternit em Colombo - PR

O resultado da Eternit foi muito ruim em todos seus segmentos de atuação. As vendas de crisotila in natura diminuíram pela concorrência com produtores russos e cazaques e pela redução da demanda na Ásia, os produtos prontos para construção civil tiveram vendas baixas e, como resultado disso, a companhia apresentou prejuízo de 9 milhões de reais no trimestre sem ter nenhum evento não recorrente.

A Eternit ainda tem 91% das suas receitas dependentes do mineral crisotila, alguns comentam que a empresa foi vítima de diworsification (diversificação que diminui a rentabilidade da empresa), mas, na verdade, a empresa não se diversificou. O segmento de telhas de concreto responde por 6% da receita e outros produtos respondem por 3%. A Joint Venture da Tégula** (empresa que a Eternit possui participação) não entra na divisão da receita, mas, de qualquer jeito, ainda não conseguiu apresentar resultados razoáveis. A dívida da empresa também se elevou bastante e o caixa da Eternit está baixo.

As ações trabalhistas de ex-funcionários contra a Eternit ainda causam despesas nos resultados da empresa, mas não acredito que o prejuízo a ser assumido por essas ações será significativo para a Eternit.*

A empresa precisa começar a melhorar para que seja possível começar a analisar a compra. Apesar do valor baixo da ação, considero arriscado demais investir em uma empresa nessa condição, deve-se, porém, acompanhar os próximos resultados para verificar se haverá um ponto de inflexão nos próximos resultados caso as condições econômicas brasileiras sejam realmente restauradas.

NOTA: L - lixo

*O amianto só é tóxico durante a fabricação das telhas, que são totalmente seguras depois de fabricadas. Há muitos anos atrás a toxidade do amianto era desconhecida e alguns ex-funcionários se intoxicaram e agora exigem indenizações.

** Correção: CSC (Companhia Sulamericana de Cerâmica)

Nota pessoal: Fui acionista da Eternit em 2012 e 2013, mas saí quando percebi que a demanda por produtos de construção civil cairia muito.

Eternit RI 

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Tag Along

O Tag Along é um mecanismo muito simples de ser entendido, porém a maioria das pessoas confunde mudança de controle com fechamento de capital e acaba dando um nó na cabeça.


Basicamente: Tag Along = direito de venda conjunta

Darei alguns exemplos para facilitar a compreensão do conceito:

Exemplo 1:  

Você possui ações ordinárias da empresa fictícia Petróleo & Negociatas S/A (PETN3).

a) A empresa pertence ao Segmento Tradicional e as ações ordinárias possuem 80% de Tag Along.
b) Cada ação vale 10 reais na bolsa.
c) O grupo controlador vendeu o controle por 11 reais por ação.
d) O novo grupo controlador é obrigado a estender a oferta, garantindo o direito de venda conjunta, por 80% do valor oferecido, ou seja,  8,80 reais por ação.
e) Você pode aderir à oferta (OPA de mudança de controle) ou permanecer com suas ações.

Exemplo 2:

 Você possui ações preferenciais da empresa fictícia Petróleo & Negociatas S/A (PETN4).

a) A empresa pertence ao Segmento Tradicional e as ações preferenciais possuem 0% de Tag Along.
b) Cada ação vale 10 reais na bolsa.
c) O grupo controlador vendeu o controle por 11 reais por ação.
d) O novo grupo controlador não é obrigado a estender a oferta.
e) Você não receberá oferta alguma.

Exemplo 3:

Você possui ações ordinárias da empresa fictícia Chernobyl Produtos Controlados S/A.  (CHBL3).

a) A empresa pertence ao Novo Mercado e as ações ordinárias possuem 100% de Tag Along.
b) Cada ação vale 10 reais na bolsa.
c) O grupo controlador vendeu o controle por 11 reais por ação.
d) O novo grupo controlador é obrigado a estender a oferta, garantindo o direito de venda conjunta, por 100% do valor oferecido, ou seja, 11 reais por ação.
e) Você pode aderir à oferta (OPA de mudança de controle) ou permanecer com suas ações.

Mais uma reunião do Board da Petróleo & Negociatas S/A.
Um conceito simples, como o da extensão da mesma oferta de compra oferecida aos controladores ao resto dos acionistas é distorcido e misturado com OPA (Oferta Pública de Aquisição) para fechamento de capital. Nas ações com Tag Along, os novos controladores da empresa são obrigados a realizar uma OPA de alienação de controle, essa OPA não implica no fechamento de capital. Claro que nada impede que os novos controladores fechem o capital da empresa, bem como nada impedia que os antigos controladores fechassem o capital.

O Blaster repete incessantemente que só se deve comprar ações ordinárias e nunca se deve comprar ações preferenciais, ainda mais ações preferenciais sem Tag Along. Na realidade, ele só conhece o conceito de ação preferencial norte-americano e não tem ciência das regras que se aplicam às preferenciais brasileiras (vou explicar sobre isso mais adiante). 

Sempre é repetida a história da venda da Aracruz, que estava quebrada, e os detentores de ações ordinárias receberam muito mais que os preferencialistas. Esse caso ocorreu em uma situação anormal e só ocorreu por causa da diferença de Tag Along entre as ações, ficaria muito caro estender a oferta se todas as ações tivessem 100% de Tag Along e o grupo adquirente faria a aquisição de uma forma que burlasse a OPA obrigatória. Explicarei melhor: como na prática a CVM não funciona, pois o PT nomeou apadrinhados durante 13 anos para seus conselhos (ainda vai demorar para fazer uma faxina no quadro de funcionários), as empresas burlam a OPA de alienação de controle das empresas com 100% de Tag Along. O grupo controlador pode comprar a empresa por meio de um aumento de capital e reorganização societária, por exemplo. Isso aconteceu na Prumo Logística e na Forjas Taurus e a CVM nem se incomodou.

Dia de muito trabalho para os funcionários da CVM
Chego as seguintes conclusões:

1) O investidor não deve deixar de comprar uma ação somente porque o Tag Along dela é de 0%, ele somente deixaria de receber a oferta da OPA de alienação de controle (caso aconteça).
2) O Tag Along de 100% pode ser burlado por empresas que não querem, ou não tem dinheiro, para estender a OPA de alienação de controle a todos os minoritários.
3) Em uma empresa que possua ações ordinárias e preferenciais no mercado e com Tag Along menor para as preferenciais, o Tag Along só será vantajoso se ocorrer uma troca de controle e o acionista desejar vender suas ações (nesse tipo de empresa o Tag Along costuma não ser burlado, porque fica muito mais barato para a empresa adquirente estender a oferta somente para as ações ordinárias).

"No Brasil o Tag Along sempre pode sofrer boycott"

Discussão de Resultados: Suzano 2T16

Termino agora a análise das três empresas de papel e celulose de capital aberto. As análises da Klabin e Fibria também estão disponíveis no Capitalismus.

SUZANO PAPEL E CELULOSE:
Planta da Suzano em Imperatriz-MA

Considero muito bom o resultado do segundo trimestre da Suzano. A empresa está diminuindo sua alavancagem financeira após o término de sua nova planta de celulose em Imperatriz-MA. O lucro de 954 milhões no trimestre foi impulsionado pela desvalorização cambial, mas, mesmo desconsiderando esse não recorrente, o resultado continua sendo muito bom.

A Suzano é focada na produção de celulose, que representa dois terços de sua receita, a produção de papel representa um terço da receita líquida. A empresa não está realizando nenhum investimento relevante e consegue gerar bastante caixa para continuar a desalavancagem ou distribuir aos acionistas.

No momento a empresa possui um market cap de 11,9 bilhões. Segundo minha análise, em uma situação de estabilidade cambial, a Suzano lucraria um bilhão por ano o que resultaria em um P/L de 11,9 (market cap/lucro presumido). Dessa forma, considerando, também, as vantagens do setor, considero a aquisição de ações da Suzano vantajosa para o investidor.
NOTA: MB

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Fugindo da inflação


De forma geral, inflação caracteriza-se pela queda do poder aquisitivo, motivada por uma alta do nível de preços. A grande questão que vejo é "enxergar" esse aumento de preços. Tirando às vezes em que houve aumentos expressivos, tal como a energia elétrica que chegou a mais de 30%, é difícil observarmos diariamente a subida dos preços. Da mesma maneira que alguns produtos sobem de preço, outros podem baixar, fazendo com que a "média" geral dos preços fique equilibrada. Com certeza, para mim, para você ou para outros consumidores não é tão fácil mensurar desta maneira, já que cada um tem uma característica própria de despesa.

Por exemplo, se tenho um grande consumo de um certo tipo de produto (A) e ele aumenta, de nada adianta abaixar o preço de outro (B) se eu não o utilizo. Na média apresentada pelo índice oficial - IPCA - poderia haver uma estabilização no preço (A+B), porém, como dito anteriormente, para aquele indivíduo que adquiriu somente (A) terá um "peso" muito maior em seu orçamento. Por isso, acho interessante ficarmos atentos para o índice de inflação e entendermos o que o compõe. Alimentação, bebidas, comunicação, habitação, saúde e vestuário são alguns dos gastos que são levados em consideração.

Verificando aquilo que mais subiu, poderemos fazer um análise mais aprofundada dos nossos gastos e tentar mitigar o efeito inflacionário em nossas próprias economias. Esse conselho, com certeza, irá ser melhor aplicado para aquele trabalhador que possui uma renda de cerca de 3 salários mínimos, na medida em que qualquer aumento faz a diferença no orçamento familiar.

Aliado a isso, é utilizado, pelo IBGE,  o ajuste sazonal do Índice de Preço ao Consumidor Amplo. (comentado no post - Relatório de Mercado X Renda Fixa). O objetivo principal é realizar um ajuste da inflação sem as variações sazonais (clima ou períodos do ano - Páscoa, Carnaval, Natal) a nível Nacional e Regional.

O que isso significa na prática? Os produtos sazonais são aqueles que possuem períodos bem definidos de produção, consumo e preços. Em alguns momentos do ano, há mais produtos que fazem com que os preços baixem e, em outros, há menos produtos que fazem com que os preços subam. Tudo isso acarreta numa influência inflacionária.

No 1º semestre do ano: escassez de produtos agrícolas (aumento do preço) e queda de preços de vestuário motivado por liquidações de verão.

No 2º semestre, alguns produtos do vestuário imprimem uma alta dos preços, motivada por lançamentos de coleções de inverno. Neste período, também, os produtos alimentícios, tem sua oferta aumentada, diminuindo o preço (com exceção da carne bovina).


Por fim, conhecendo o índice e sabendo no que houve um maior aumento naquele mês ou período, poderemos fazer um ajuste consumindo produtos similares ou modificando nossos hábitos para aquela determinada época do ano. 

Análise Setorial: Celulose

Eu sempre procuro investir nas ações de empresas que possuem vantagens competitivas sobre seus concorrentes (todos os grandes mestres do investimento bursátil também o fazem). No caso do Brasil, o segmento de celulose possui uma grande vantagem em produtividade sobre o resto do mundo, para ser mais claro, o Brasil é o melhor país do mundo para o plantio de pinus e eucalipto.

Nas apresentações institucionais da Klabin e Fibria são ressaltadas as vantagens da produção de celulose no  Brasil:

O recorte acima foi obtido da última apresentação institucional da Klabin. Percebe-se a clara vantagem que as empresas de celulose possuem no Brasil. Esta vantagem está tirando do mercado as empresas dos países nórdicos e do Canadá, que não conseguem competir com a celulose brasileira.

A Klabin tem uma produção de celulose menor que as outras empresas de celulose brasileiras, mas consegue uma produtividade maior, pois possui apenas uma planta de celulose, que se localiza no Paraná, estado melhor que a média nacional para o crescimento de pinus e eucalipto. Vale lembrar que a Klabin possui mais receitas provenientes de papel pronto do que de celulose.

O recorte acima foi retirado de uma das últimas apresentações corporativas da Fibria e mostra, claramente, que o custo de produção de celulose no Brasil é menor que no resto do mundo.

A Fibria consegue ter um custo ainda menor que a média nacional, em grande parte por causa do ganho de escala. Seria muita pretensão da Fibria diminuir o custo de 261 para 206 dólares/tonelada de celulose em 2021? Acredito que a meta é possível de ser alcançada, porque a Fibria tem investido bastante em pesquisa e diminuição de custos. Outros projetos da empresa são a monetização dos rejeitos resultantes da produção de celulose e produção de fibra de carbono.

Por fim, retirei mais um recorte de uma apresentação da Fibria. Como demonstrado pelo gráfico, o consumo de papel sanitário cresceu muito nos últimos 20 anos. Não vejo razões para que haja uma mudança de tendência, grande parte da população asiática ainda não tem acesso a condições mínimas de saneamento e isso vem mudando nos últimos anos.

Outra vantagem de investir nesse setor é que, como dizia Peter Lynch, seus produtos nunca saem de moda. Um determinado tipo ou marca de celulares, roupas ou software, por exemplo, podem cair no ostracismo e precisam de constante inovação. Não acredito que o papel higiênico sairá de moda ainda durante esse século.

Relatório Mercado x Renda Fixa



O último Boletim Focus - relatório que traz as projeções econômicas pelo Banco Central do Brasil - abordou a queda do produto interno bruto para esse segundo trimestre e uma expectativa de queda da inflação em 2016/2017.

Balança Comercial: De acordo com o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, a balança comercial registrou superávit de US$43,3 bilhões em doze meses até julho de 2016.

PIB: O Produto Interno Bruto recuou 0,6% no segundo trimestre de 2016 ao compararmos com o trimestre anterior segundo dados dessazonalizados pelo IBGE.  (Irei abordar mais para frente o que significa esse termo). A atividade fabril acumula nos últimos doze meses, variação de -9,8% em junho de 2016.

Taxa de desocupação: a taxa de desocupação foi estimada em 11,6. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram fechamento de 1,71 milhão de vagas nos últimos doze meses.

A projeção para inflação fica em torno de 5% para 2017, possibilitando uma queda da taxa de juros que está extremamente elevada.  Ao ver o histórico da taxa de juros brasileira, podemos verificar que houve uma sucessão de aumentos a partir de 2013, chegando, em 2016, a meta de 14,25%. Os títulos públicos que estavam com taxas bastante atraentes no início do ano de 2016, ainda apresentam rentabilidades boas para uma carteira conservadora. Com taxas variando em torno de 6% para o Tesouro IPCA e cerca de 12% para o pós-fixado. Recomendo acompanhar semanalmente a venda dos títulos públicos, pois no dia 30/08/2016, o Tesouro IPCA +Juros Semestrais 2026 estava cotado a taxa de 5,97 % e, hoje, 07/09/2016 - uma semana depois, o mesmo título está com uma taxa de 5,82%.

Expectativa de mercado - Relatório Focus:

Inflação 2016: 7,34 %
Inflação 2017: 5,12 %

Meta Selic 2016: 13,55%                                                                                                 
Meta Selic 2017: 11,00%

Taxa de Câmbio 2016: R$/US$ 3,26
Taxa de Câmbio 2017: R$/US$ 3,45


CONCLUSÃO: A possibilidade de lucrar com a queda da taxa de juros - SELIC - é uma boa oportunidade para compra neste período e posterior venda antecipada dos Títulos Públicos, principalmente aqueles atrelados a inflação.

Relatório de Mercado Focus

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Discussão de Resultados: Fibria 2T16

FIBRIA: 

Projeção da planta Novo Horizonte 2 em Três Lagos - MS

A Fibria reportou um resultado muito bom no 2T16, em parte beneficiado pela desvalorização cambial da dívida. Não considero o resultado excelente por causa do pagamento excessivo de dividendos em 2015, na minha análise os recursos seriam melhor utilizados se fossem direcionados para reduzir a alavancagem financeira.

A Fibria é uma das indústrias de celulose mais produtivas do mundo, possui um excelente know-how e sua área geográfica favorece o crescimento de eucaliptos. Diferentemente do minério de ferro, creio que a demanda mundial por celulose deva aumentar nas próximas décadas devido ao maior acesso de saneamento básico pelas enormes populações da China e da Índia.

Na minha opinião, a ação está barata, no momento possui market cap de 12,5 bilhões de reais e eu estimo que a empresa consiga lucrar cerca de 1,1 bilhão nas condições atuais de câmbio, resultando em um P/L estimado de cerca de 11. Estimo, também, que a rentabilidade poderá aumentar muito após a conclusão do projeto Horizonte 2 em 2017.
NOTA: MB

domingo, 4 de setembro de 2016

Discussão de Resultados: Klabin 2T16

Começo nesse post uma série de análises rápidas e objetivas de resultados empresariais das empresas listadas em Bolsa, darei início à série com a análise de Klabin.

Os resultados das empresas receberão as notas:

E - Excelente
MB - Muito Bom
B - Bom
R - Regular (cautela)
L - Lixo (muita atenção!)

As notas levam em conta a situação macroeconômica do setor, por exemplo, uma empresa pode apresentar prejuízo e mesmo assim ter um resultado bom se ele foi acima do resto do setor.

KLABIN:

Fábrica de Ortigueira em 28 de junho do corrente ano

O início da operação da nova planta em Ortigueira já aumentou a rentabilidade da empresa, apesar da fábrica ainda estar em processo de ramp-up e a capacidade total atingida ser, ainda, próxima de 50%.

A Klabin fabrica produtos com valor agregado mais altos que seus concorrentes, a nova planta explora um segmento de mercado extremamente lucrativo e é posicionada para aproveitar as vantagens logísticas e naturais da região (ferrovia para o porto de Paranaguá e condições que favorecem o crescimento de Pinus). O ponto negativo da Klabin é a dívida assumida para a construção da fábrica, mas não deve ser um empecilho para a lucrativade da empresa, pois a rentabilidade dos novos investimentos superam com facilidade o pagamento de encargos da dívida.

Na minha opinião, a ação da Klabin está barata e é favorável para compra na data atual (último fechamento 2,59 KLBN4 e 17,00 KLBN11). 

NOTA: E