segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A Desconcentração Bancária no Brasil

Há alguns meses atrás o "grão-mestre" Paulo Guedes disse que o Brasil tem cinco bancos e 200 milhões de patos, em uma evidente crítica à concentração bancária. Segundo o ministro, políticas de governos anteriores permitiram que o sistema bancário se reduzisse a cinco grandes bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander) que dominam o mercado e praticam spreads enormes.

Era muito comum, há pouco tempo atrás, ouvir que para vencer no mercado bursátil brasileiro só era necessário comprar ações dos maiores bancos e todas as carteiras deveriam possuir algumas ações destas empresas. Não acredito que esse raciocínio ainda faça sentido.
Os pioneiros da digitalização
Vou começar explorando o meu caso particular. Há alguns anos atrás eu só usava o Santander e pagava 8,90 reais sempre que precisava fazer um TED, como sempre fui morrinha, não usava os outros produtos do banco que são para pegar trouxa. Com o advento dos bancos digitais, pedi portabilidade de salário para o Banco Inter, abri a Nuconta e só uso o Santander quando preciso sacar dinheiro no caixa eletrônico, enquanto isso meu saldo fica rendendo a 100% do CDI no Inter e no Nubank, ambos com TEDs gratuitas ilimitadas.

Obviamente, o ser humano é preguiçoso por natureza e muita gente ainda paga as tarifas bancárias dos grandes bancos por comodismo quando poderia estar desfrutando dos benefícios e facilidades dos bancos digitais.
Cena comum nas agências BB povão
Usando minha bola de cristal mais uma vez, acredito que este cenário de entrada de novos concorrentes que oferecem produtos melhores que os grandes bancos (no mercado de finanças, o melhor é o que cobra menos taxa) causará um efeito semelhante ao que a Cielo enfrenta no mercado de meios de pagamentos. Para se ter uma ideia, a receita do Itaú com tarifas bancárias nas operações bancárias de varejo foi da ordem de 6,4 Bi reais em 2018, enquanto o Banco Inter não cobra quase nenhuma tarifa de PF.

Dessa forma, acredito que o setor bancário brasileiro pode passar por um cenário de Battle Royale*, assim como aconteceu no segmento de meios de pagamentos. Esse cenário implicaria em uma maior disputa pela competitividade, o que pode derrubar as taxas e rentabilidade de todo o setor, mas não acho que o setor bancário deixará de ser lucrativo, pois em um cenário de retomada econômica, ele vai se beneficiar muito e, ao contrário das maquininhas de cartões que estão ameaçadas pelos pagamentos diretos, não vejo o risco de "substituição tecnológica" no setor bancário.

Caso alguém tenha percebido, por enxergar melhores oportunidades, me desfiz das minhas ações da Itaúsa no período em que estava no submundo da Blogosfera. Também não vejo mais tanta atratividade nas ações do Banco Inter agora, visto que, apesar do banco estar crescendo muito, os múltiplos estão bem salgados e ele vai começar a enfrentar uma concorrência mais acirrada dos outros bancos digitais.

 Battle Royale: condição de guerra em que várias partes se degladiam em uma batalha contra vários adversários ao mesmo tempo, todos lutando entre si.

ALEA IACTA EST

6 comentários:

  1. Boa análise. Também abri conta e fiz portabilidade pro Inter e já migrei umas 5 pessoas que também já convenceram outras e assim por diante... ainda tem muita gente que fica preso aos bancoes por preguiça ou por estarem presos a um servico, mas no longo prazo vai perder e novos concorrentes, inclusive de outros segmentos vão surgir e oferecer serviços até então exclusivos de bancos

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    1. Salve, Viajante! Acredito nessa mesma tese e espero que os serviços bancários sejam facilitados com o acirramento da concorrência. Como concorrente de outros segmentos, já podemos citar o Mercado Livre que criou uma conta corrente que rende 100% do CDI.

      Abraços!

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  2. Maravilha para quem consegue ter conta em corretora e não trabalha num desses bancos que não te deixam abrir conta investimento fora deles

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    1. Salve, Anon! Certamente os novos serviços financeiros que surgiram facilitam muito a nossa vida.

      Abraços!

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  3. Fala Marcelo!

    Cara, concordo mas com um adendo. Enquanto os jovens estão de olho nas tarifas que pagam (meu irmão fez portabilidade para o banco Inter sem eu indicar), pessoas de mais idade relutam em sair dos bancões.

    Logo acredito que o cenário apresentado ainda leve um tempo para acontecer. Assim por ora ainda mantenho minhas ITSA

    Abraço!

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    1. Salve, Inglês! Concordo com suas observações. Vendi as minhas ITSA para comprar TRIS e JSLG quando o preço delas estava bem mais barato. Outra coisa que me incomoda na ITSA é o fato da Duratex ficar patinando há anos, sendo que mesmo quando o mercado de construção civil aquece, ela continua no limbo.

      Abraços!

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