terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Volatilidade não é Risco

Há alguns anos atrás eu ainda cometia o erro de tentar introduzir o assunto de investimentos para leigos. Se você ainda comete esse erro desista, você não é o São João Evangelista Financeiro que vai salvar todos os seus amigos da Matrix Financeira e colocá-los no caminho da Independência Financeira. Não faça isso, lembre que a maioria das pessoas vive tão agarrada na Matrix que defende com a própria vida a ilusão em que vive.

Em tempos longínquos eu tentei introduzir o assunto de investimento com leigos. O que eu mais ouvia era: "sou um investidor conservador e não invisto em ações, porque é muito arriscado". A maioria das pessoas desenvolve um raciocínio errado de percepção de risco, porque volatilidade não é risco, risco é a probabilidade de você ter que assumir um prejuízo em um investimento realizado.

Existem mais de 400 ações na Bovespa e existem ações muito arriscadas, como a Gol Linhas Aéreas e ações de risco muito baixo como a Taesa. Só existem três tipos de companhias aéreas, as que já quebraram, as que vão quebrar e as que são sustentadas pelo governo, já uma companhia transmissora de eletricidade no Brasil, como a Taesa, está inserida em um mercado crescente e é remunerada de forma fixa e reajustada pela inflação pela manutenção das linhas. Já deu para perceber que é um absurdo colocar todas as companhias em uma mesmo balaio, não é?

Geralmente, quem diz: "sou um investidor conservador" investe no máximo em Tesouro Direto e fica exposto a dois riscos: o risco dos juros líquidos ficarem próximos ou abaixo da inflação e o risco dos juros prefixados caírem caso os juros futuros subam, além disso, como estão totalmente expostos em renda fixa sempre perdem as grandes altas da renda variável que acontecem de tempos em tempos.
A imagem acima corresponde aos retornos deflacionados do mercado de ações contra os títulos públicos de longo prazo (bonds), os títulos públicos de curto prazo (bills), o ouro e o dólar guardado em baixo do colchão. Incrivelmente, quando é observado um prazo muito longo, as ações, além de renderem mais, foram as menos voláteis, permaneceram quase todo o tempo respeitando uma tendência de alta definida. Enquanto isso, a inflação destruiu os retornos dos investidores de títulos do governo a partir da década de 1930.

Dizer que volatilidade é sinônimo de risco é uma falácia, para investir em ações deve-se ignorar as movimentações de curto prazo e focar nos resultados e fundamentos de cada empresa de forma individual. A menos que você tenha um grave problema de ansiedade (nesse caso você precisa de tratamento) não acho prudente não ter nada de renda variável em uma carteira de investimentos.

Abraços!

4 comentários:

  1. Muito bom Marcelo,
    Esse gráfico do livro do Siegel faz as crises parecem pequenos deslizes na inexorável tendência de alta no longo prazo das ações.

    Abraço.

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    1. Obrigado, KB! A crise de 1929 praticamente desaparece um um espaço de tempo tão grande.

      Abraços!

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  2. Concordo plenamente Marcelo,

    Não vale a pena tentar explicar este tipo de investimentos para leigos, eu já desisti. Esta idéia de que volatilidade é risco vem da Teoria "Moderna" do Portifolio do Harry Markowitz (1952) que ganhou um prêmio Nobel por isso.
    Entretanto, há uma enormidade de estudos mais recentes que mostram outras abordagens mais interessantes de como tratar o risco (variância) da carteira.

    Tem um texto um pouco técnico que aborda esse tema em: https://drnickel.wordpress.com/2011/06/16/teoria-de-carteiras-de-investimento-parte-i/

    Grande Abraço

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    1. Salve, Aportador! Eu tenho a lembraça que há alguns anos já vi a teoria do Harry Markowitz, vou dar uma lida no seu link para relembrar.

      Abraços!

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