quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Comentários: Embraer 3T17

Estou acompanhando com lupa a Embraer desde o resultado do segundo trimestre, em que a empresa se saiu bem, considerando o cenário atual difícil e o câmbio valorizado. Como já tinha dito no post anterior, a Embraer é uma empresa difícil de ser analisada, porque ela não faz produtos triviais, não é uma empresa que pode ser administrada até por um idiota, muito pelo contrário. O negócio da Embraer exige muito gasto com pesquisa e desenvolvimento e a empresa precisa criar bons produtos para ser competitiva em um nicho do mercado de aviação global.
A própria Embraer já espera um resultado pior em 2018 do que neste ano, a razão disso é que ela está em fase final de implantação dois grandes projetos: O KC-390 e a linha de jatos comerciais E-2, explicados no último post sobre a Embraer. O primeiro jato comercial E-2 será entregue em Abril de 2018 e a Embraer já conta com uma grande carteira de pedidos confirmados para essa linha (backlog). O KC-390 segue no processo de certificação e não houve novos pedidos no trimestre, mesmo assim, ele está sendo apresentado para diferentes forças aéreas do mundo.

Nas últimas semanas as ações da Embraer caíram fortemente depois do anúncio que a Airbus vai comprar a linha de jatos da Bombardier que concorre diretamente com a linha E-2. O mercado espera que a concorrência aumente nesse segmento com investimentos mais fortes da Airbus, eu acho que é, de fato, um fator negativo para a Embraer, mas é um evento normal, nada catastrófico para as vendas futuras do E-2.
A Embraer reportou um lucro líquido ajustado de 238M, o que considero bom para o período que a empresa passa e pela situação econômica atual. A situação de endividamento da Embraer está controlada e mantenho meu "chute" de um lucro líquido anual de no mínimo 1,6B quando a empresa estiver na fase de "decolagem".
EMB-314 Super Tucano
O produto que surpreendeu positivamente no trimestre foi o EMB-314 Super Tucano, avião militar de ataque leve e treinamento projetado em 2009. Ele foi testado pela Força Aérea Americana para uma futura aquisição de aeronaves de baixo custo e recebeu a classificação máxima. O Super Tucano cumpre bem o propósito para qual foi projetado, é uma aeronave de baixo custo para treinamento, reconhecimento e apoio aéreo de solo, vale ressaltar que uma unidade do Super Tucano custa cerca de 10M dólares, enquanto uma unidade do caça "top of mind" da Lockheed Martin, o F-35, custa mais de 1B de dólares.

7 comentários:

  1. Barbarossa,

    Gosto do case da Embraer apesar de não ter em carteira. Realmente é uma empresa difícil de analisar pois gasta-se muito com investimentos e qualquer notícia tipo a que saiu da Airbus já derruba a ação.

    Neste ramo tem que se apegar ao produto. O super Tucano é uma das melhores aeronaves do mundo quando se avaliam quesitos custo X benefício X missão a que se propõe.

    O KC 390 vai ser revolucionário mas ainda não está pronto e ouvi algo que tinha dado uma pequena pane estrutural em uma aeronave então se isso concretizar pode retardar a entrega do projeto e ter mais uma perda nas ações.

    De qualquer maneira pra longo prazo acho uma boa pois assim que estiver tudo ok e vendendo as aeronaves pro mundo todo o lucro dá uma explodida.

    Eu fico fora por enquanto pois tem empresas menos voláteis que quero na minha carteira e ainda não comprei. Uma das ações que vou por na carteira é a Lockheed pois esse F-35 se der realmente certo vai ser um lucro bom nas vendas.

    Abraço!

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    1. Salve, BPM! Assim como você, também gosto da Embraer, mas, por motivos semelhantes, também ainda não a tenho em carteira.

      Também sou acionista da Lockheed e digo que esse mercado de produtos de defesa é o mais corporativista e corrupto do mundo. O problema é que os clientes possíveis são todos governos, então acaba rolando muitas propinas, favores e jogo de influência, mesmo assim é um segmento lucrativo.

      O F-35 também teve um incidente muito estranho nas últimas semanas. Um F-35 de Israel foi neutralizado por um pássaro segundo o comunicado oficial. O que se suspeita é que a Síria tenha conseguido danificar o F-35 com um míssil S-200 que tem mais de 40 anos de projeto. Apesar desse incidente ter sido acobertado, pode ser que o F-35 não seja tão Stealth como pensam.

      Abraços!

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  2. Nessa historia do C-Series prefiro enxergar a metade cheia do copo. O fato é que a Airbus COMPROU o programa de produção desta aeronave. Enxergo isso como a Bombardier jogando a toalha. Sem subsidio do governo canadense ela não consegue vender. Ponto para a Embraer, matou um concorrente.
    Ganhou outro, maior e mais forte e que deve produzir a aeronave dentro EUA nas mesmas condições da Embraer. Condições de igualdade para competir era tudo que a Embraer estava pedindo.
    Acho que a Airbus aposta num aumento do mercado para esse tipo de aeronave. Se o nicho fosse pequeno não entrariam no negócio. Assim, num mercado maior mesmo que perdesse market share a Embraer poderia manter e até ampliar as vendas.

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    1. É um excelente ponto de vista mas pra investidor pode significar um tempo sem rendimentos bons e existem outras empresas que podem dar rendimentos mais rápidos. De qualquer maneira ainda gosto do case.

      Olha a notícia que citei aqui https://g1.globo.com/sp/sao-carlos-regiao/noticia/aviao-militar-da-embraer-tem-incidente-durante-voo-de-teste-em-gaviao-peixoto-sp.ghtml

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    2. Salve, Icekrill! É um ponto de vista interessante sobre a notícia, eu não tinha pensado por esta maneira. Acho que a compra do programa de produção pela Airbus não trará consequências catastróficas para a Embraer.

      Abraços!

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  3. Só cuidado com as "nutiça".

    Esse incidente com o KC-390 ocorreu sob circunstâncias totalmente adversas a situações de voo normal. Justamente por testarem os aviões sob condições críticas é que há grandes chances de acontecer esse tipo de incidente.

    A situação foi bem estranha mesmo, mas conforme informações preliminares que ainda precisam ser confirmadas, o avião foi forçado a voar numa velocidade muito baixa com um ângulo de ataque muito inclinado, causando uma situação de estol. Interessante comentar que mesmo com o dano estrutural severo que o avião sofreu, ainda assim teve condições de voltar à base.

    Mas enfim, Embraer é uma empresa que me faz brilhar os olhos e por isso mesmo eu não compro! heheheh

    Abraço!

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    1. Salve, Wannabe! Eu desconhecia o incidente com o KC-390. Acho que não dá para saber ao certo, com as informações disponíveis, o que aconteceu e qual foi a extensão do dano estrutural na aeronave.

      Abraços!

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