domingo, 21 de maio de 2017

Crise 2008 x Crise 2016

Salve, doutores! O texto a seguir trata de alguns fatores que impulsionaram a crise que estamos vivendo e algumas diferenças da situação brasileira durante a crise de 2008 (Crise do Subprime americano). Como foram inúmeros fatores, procurei elencar as principais contribuições ou cagadas, podemos dizer, para que chegássemos ao fundo do poço

Tivemos alguns fatores que possibilitou que o Brasil conseguisse ser menos impactado da crise de 2008. Como meu objetivo aqui é exemplificar de modo simples e prático, irei elencar algumas características que foram benéficas para superar a crise. É interessante ressaltar que esses fatores não puderam ser replicados no momento atual, já que enfrentamos outra conjuntura econômica e social em nosso país.

Naquele momento, tínhamos uma China que demandava uma quantidade significativa de commodities, favorecendo os países exportadores dessa matéria prima, tal como o Brasil. Ou seja, havia uma impulsão das exportações quando compararmos com as importações, e, desta forma, nossa balança comercial saía favorecida.


Ainda como influência, tínhamos juros muito baixos no exterior, já que a política da expansão cambial foi utilizada para superar a crise no âmbito global. Para termos uma noção, os títulos do governo americano despencaram nessa época e, os de curto prazo chegando a marca dos 0%. Tínhamos, nesse momento, uma quantidade de investidores estrangeiros querendo realizar aplicações que fossem mais rentáveis, desta maneira, vemos que o Brasil, com o grau de investimento, era uma boa opção com um risco aceitável para absorver esses investimentos estrangeiros.

No começo dos anos 2000, tínhamos um desemprego bastante elevado, com taxas de 12% e, em 2013 menos de 6%. Para aumentar a capacidade produtiva, ou importa-se mais, o que acarreta em uma maior pressão inflacionária, ou aumenta-se a produtividade. Como havia um contingente bastante elevado para absorver a demanda (desempregados), tínhamos um ingrediente que possibilitou o aumento da produção, sem quebrar o teto de meta da inflação.

Com maior poder de consumo, acarretado por um menor desemprego, aumenta-se a demanda interna por produtos.

Foram realizadas medidas na política monetária a fim de fomentar a linha de crédito, diminuindo os depósitos compulsórios dos bancos. Além disso, o Banco Central Brasileiro atuou como emprestador, porém muito menos do que a Europa e os Estados Unidos.

Com essas medidas, o Brasil conseguiu sair de forma rápida da crise e, para termos uma ideia, em 2010 o Brasil havia crescido mais de 7%.

Tivemos um aumento de demanda, sem uma contrapartida da oferta, porque não houve aumento de produtividade. Se não há essa contrapartida, temos aumento de inflação (mais indivíduos querendo uma quantidade limitada de produtos) e/ou um aumento da importação de produtos para compensar essa falta de oferta do mercado. De uma maneira geral, o foco na demanda (estímulo de crédito) e não na oferta (foco na produção) acarreta algumas consequências inevitáveis ao mercado Brasileiro.

A competitividade visando as exportações, depreciando o real, através da intervenção artificial do estado, faz com que os insumos subam de preço, acarretando numa subida de preços por aqui. 

Então, quais os fatores que não estão presentes atualmente para auxiliar a frágil economia brasileira neste momento? 

Desde já vemos que o Brasil não se preparou para os ciclos da economia, lembre-se tivemos diversas crises econômicas mundiais (alguns exemplos: 1929, 1973 - crise do petróleo, 1987, 1998, 2008). O Brasil, e aí eu me atenho aos governantes, não se preocuparam na preparação para possíveis variações do cenário externo. Ou como Nassim Taleb cita os "cisnes negros" (situações imprevisíveis).

 - Nesse panorama, tivemos uma diminuição do consumo da China por commodities, acarretando numa diminuição da balança comercial brasileira

 - Além disso, um aumento do déficit nominal que trata dos gastos públicos, um aumento de mais de 6% do PIB, ou seja, temos mais gastos do que receitas. Imagina se continuássemos gastando mais do recebemos por tempo ilimitado. Alguém iria pagar a conta por tamanho descontrole.

Nada mudou..
 - Descontrole da meta da inflação no período e intervencionismo estatal no Banco Central que deve ser um órgão independente do setor político. No momento de uma maior inflação, os juros deviam ter sido aumentados, porém esta linha de ação foi tomada de forma contrária. O governo cortou a Taxa Selic para impulsionar artificialmente o consumo, acarretando num descontrole inflacionário e a meta de inflação estipulada pelo Banco Central foi ultrapassada. (lembremos, centro da meta 4,5% a.a e teto da meta inflacionária 6,5 a.a)

- Buscava-se uma depreciação do real com o intuito do incentivo industrial, para isso, o Banco Central não deixava o câmbio flutuar livremente ao utilizar artifícios artificiais com o objetivo de deixar o real desvalorizado perante a moeda americana.

- Grande intervencionismo na economia, principalmente no setor elétrico e combustíveis, acarretando num aumento substancial do preço desses setores posteriormente. Em algum momento iríamos pagar a conta.

- Crédito barato do BNDES (outra instituição que não deveria existir) para empresas que efetivamente não estavam alinhadas com o auxílio do crédito, pois essas concessões não cobriam valores mínimos de reposição do valor cedido, tampouco o enquadramento necessário da real necessidade para algumas empresas.

- A concessão de crédito chegou ao seu limite, acarretando num endividamento maior das famílias no período. Não havia mais como aumentarmos o crédito, pois essa medida havia chegado ao fim e não podia-se baixar os juros em virtude da inflação elevada.

Não sou profissional no assunto, porém busquei alguns fatores contribuintes para chegarmos a pior recessão da história brasileira. Como vemos em alguns acidentes, os erros ou os fatores nunca estão isolados, sempre é um somatório de linhas de ações ineficientes e desregradas. Fato que ocorreu com governantes incapacitados e totalmente incapazes do entendimento de ações básicas para conter o avanço da recessão econômica. E agora vamos continuar poupando e investindo, porque só assim podemos ter segurança para passar por crises e nunca depender de favores do governo.

8 comentários:

  1. Durante a crise do Petróleo, o General Médici foi ágil e o Brasil cresceu como nunca na história. Obrigado pelo artigo.

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    1. Obrigado camarada, grande abraço!

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    2. Ele apenas inflou uma bolha, explodiu e após tivemos a década perdida.

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    3. Concordo em partes com você, Anon. Em minha opinião, o governo Médici foi, em geral, bom para a economia, mas ele começou o processo de aumento da dívida e criação de estatais. No meu entendimento o grande culpado pela crise da década de 1980 foi o governo Ernesto Geisel, este sim criou dezenas de estatais e multiplicou a dívida pública.

      Abraços!

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  2. Tivemos uma amostra do que acontece quando a classe política utiliza os recursos do Estado em causa própria.

    Obrigado pelo artigo!

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    1. Obrigado Investidor Wannabe, esperamos que o fato de passarmos pela pior crise da história acarrete em mudanças estruturais em nosso país. A gente espera que as coisas mudem e logo vem uma surpresa.
      Grande abraço

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  3. Bom resumo Gregório,

    Entre os grandes "erros", eu destaco o intervencionismo no setor elétrico e combustíveis. Isso caiu como uma bomba no setor produtivo: Qual seria o próximo setor a ser controlado?
    Ninguém quer investir com tanta imprevisibilidade.
    Não a toa, a taxa de investimento do país despencou na época e nunca mais voltou.

    Abraço.

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    1. Grande KB, como você falou, ninguém quer investir com tamanha variação no setor político e econômico. Tamanho o desconforto que muitos preferem realizar investimentos no exterior, pois no Brasil não se sabe qual a nova taxa, lei, regra que pode ser criada de um dia para o outro.
      Grande abraço

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