domingo, 12 de março de 2017

Legião Estrangeira

Légionnaire

Esse post é baseado num comentário do Porco Capitalista, um dos leitores do Capitalismus, sobre a Legião Estrangeira, fato que achei interessante comentar um pouco. Também vai servir como uma recomendação de livro para quem tem curiosidade em saber um pouco como funciona.


Esse é uma obra que li faz algum tempo, entra na minha lista dos melhores livros, pois possui uma veracidade e um detalhamento dos fatos muito interessante. Além disso, serve como livro motivacional, pois o autor vivencia tantas dificuldades que, ao compararmos com nossas vidas, vejo que reclamamos demais por tão pouco. É o tipo de livro que segue uma cronologia para quem vivenciou a Legião Estrangeira durante 5 anos.


Simon Murray, jovem legionário inglês, é o autor e protagonista da história, foi voluntário para servir na Legião Estrangeira durante o período de 1960 a 1965. Apesar de ser uma data distante, muitas das tradições e costumes ainda são mantidas na Legião. A rigidez e a disciplina para um legionário ainda se tornam pilares fundamentais para quem quer permanecer lá.

Há um tempo atrás, li uma reportagem no jornal sobre um brasileiro que estava servindo lá. O rapaz havia tentando entrar no Exército Brasileiro durante alguns anos e não havia conseguido ser aprovado. Depois de um tempo, viu a oportunidade em servir na Legião e foi para a França se alistar. O recrutamento ainda permanece na França, ou seja, para quem pensa em servir lá, deverá se deslocar para a Europa para realizar o processo de seleção.

Treinamento na selva

Para quem tem aquele ideal de servir ou ir para campos de batalha é bom pesquisar bastante, pois o treinamento e a cobrança são extremamente rigorosos. As vezes vemos as coisas por um ponto de vista, até mesmo romântico, porém a realidade é dura. Décadas passadas, havia diferenças entre a tropa estrangeira e o próprio Exército Francês, algum tempo atrás essa realidade mudou. Os armamentos, equipamentos foram padronizados e o legionário passou a ter quase as mesmas condições do exército regular. Com certeza, como em qualquer lugar há diferenças entre quem é estrangeiro e quem é do próprio país. Para quem é legionário, você não poderá ter acesso a cargos mais elevados, diferentemente para quem é natural da França, obviamente.

Vejo que é aquela mesma ideia para quem quer servir no Exército Brasileiro, o rapaz acha que se alistando com 18 vai poder "seguir carreira". Hoje todos sabemos que as coisas funcionam com estudo e concurso público.

A parte do livro que tratei sobre a parte motivacional, faz um gancho também quando falei das condições extremamente rigorosas de hierarquia e treinamentos. Murray passa por tanta dificuldade, inclusive combatendo no Norte da África que vemos que nossos problemas se tornam pequenos quando comparados as dificuldades do protagonista.

As imagens foram retiradas do site oficial da Legião Estrangeira

Como disse antes, o livro é cronológico, ou seja, Simon escreve sua rotina diariamente num diário, com riqueza de detalhes de suas atividades. Esse é o fato que me chamou a atenção por não ser considerado um livro tipo romance na qual o autor poderia colocar uma percepção geral do que aconteceu, mas sim, são escritos dificuldades e passagens momentâneas. É exatamente isso que traz a riqueza na leitura. Em nossa vida, as vezes, achamos que estamos passando por uma dificuldade extremamente grande, porém quando vemos pessoas que conseguiram coisas maiores com tão pouco acabam por nos levar a refletir.

Quanto à Legião Estrangeira, vejo que é uma oportunidade e uma escolha de vida, há documentários e filmes sobre o assunto, inclusive com o Jean-Claude Van Damme que faz um filme com o mesmo nome do livro - apesar de serem histórias distintas.

 Simon Murray - currículo

Ingressando na Legião


O salário do legionário é de cerca de 1200 euros se ele está na França, mas chega a cerca de 3500 euros se ele está em operações em países estrangeiros. Como o legionário tem poucos gastos é possível juntar bastante dinheiro no período mínimo de 5 anos na legião. A outra vantagem é que quando o legionário cumpre os 5 anos mínimos na legião ele pode optar por ganhar a nacionalidade francesa que permite residência em qualquer país da União Europeia.

Os testes físicos iniciais são muito fáceis, mas, quando o legionário definitivamente ingressa a Legião, os testes vão ficando muito mais desafiadores. Vários legionários que sofrem contusões nos treinamentos iniciais ou não conseguem passar nos testes são mandados embora, portanto não basta apenas passar no teste inicial, deve-se ter um físico razoável e conhecimentos básicos sobre atividades militares ajudam muito.

Há riscos de vida consideráveis nas atividades de combate da Legião. O governo francês mandou a Legião para alguns países africanos em guerra civil, como o Mali, nos últimos anos. Deve-se pesar isso para avaliar o ingresso na legião.

Foto não oficial. Dizem que ele foi punido por usar a máscara.

É isso pessoal, o objetivo era trazer uma percepção geral da Legião, além de servir como uma recomendação de livro para quem se interessa por esse tipo de assunto. Este site não oficial disponibiliza muitas informações sobre o ingresso na Legião para quem quiser saber mais: foreignlegion.info/joining/

Grande abraço

12 comentários:

  1. O que me encanta não é o salário,o qual de recruta paga melhor de que muitos políticos,mas a sim a possibilidade de ganhar cidadania em um pais europeu.Além disso,em 5 anos ganhando um bom salário,eles me pagarão toda estadia.Desse modo,terei na pior hipótese 288 mil reais e uma cidadania francesa,não há o que falar,pois com 72 mil euros investir e empreender na França é bem mais fácil.

    Ass:Porco Capitalista

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    1. Fala Porco Capitalista, tranquilo? Acho válido entrar na Legião com o objetivo de ganhar dinheiro, porém não podemos esquecer os riscos envolvidos de combater em outro país colocando nossa vida em jogo. Acredito que que há outras opções com risco retorno melhores, olhando SOMENTE pelo lado econômico. Abraço

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  2. Porco, na verdade acho mais dificil investir e empreender em paises desenvolvidos. Falo isso porque o mercado esta bem estabelecido e a concorrencia eh mais acirrada e profissional que a daqui.

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    1. Bem pensado,entretanto onde não um governo lixo que tem uma taxa tributaria surreal,salários e horários regulados pelo estado e consequentemente incompatíveis,burocracia lentíssima e mil e uma patifaria é bem mais fácil estabelecer um empreendimento.Outra,no mercado pelo sistema de preço é fácil identificar empreendimentos que tem uma alta demanda e baixa oferta,entretanto é bem importante esta a par das decisões do governo e ter estudo austríaco para diferencia a demanda do mercado(Uber,foodtruck,mercado imobiliário em alguns países) a uma ilusão criada pelo ´´neoliberalismo``(tipo bolhas imobiliárias,crash em bolsas de ações)

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    2. Bem pensado,entretanto onde não um governo lixo que tem uma taxa tributaria surreal,salários e horários regulados pelo estado e consequentemente incompatíveis,burocracia lentíssima e mil e uma patifaria é bem mais fácil estabelecer um empreendimento...
      Este comentário é meu só esqueci de assinar.

      Ass:Porco Capitalista

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    3. É tanto que no blog do conhecimento financeiro,se não me engano,ele ao imigrar para Portugal disse que imigrar em Portugal é muito melhor do que no Brasil.

      Ass:Porco Capitalista

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  3. Outro assunto por blog:
    COMO IDENTIFICAR A PRESENÇA KEYNESIANA EM INVESTIMENTOS
    ou
    COMO SABER SE A PROSPERIDADE DE UM INVESTIMENTO È NATURAL OU UMA ILUSÃO GERADA PELO ´´NEOLIBERALISMO``.

    Ass:Porco capitalista

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    1. Obrigado Porco Capitalista! Iremos tentar abordar esses assuntos, abraço

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  4. Na Boa aquela porra de opções binárias é tipo roleta russa.Como o cara vai saber se algo vai valorizar ou depreciar em segundos ou minutos.Alguma explicação para haver tanto louco nesse mercado de investimentos?

    Ass:Porco Capitalista

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    1. Vejo que é mesma ideia dos que tentam entrar no mercado acionário olhando somente análise técnica ou gráfica, tentando adivinhar o topo ou o fundo, não é a toa que a grande maioria sai perdendo dinheiro.

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  5. Qual o problema da máscara?

    No passado as pessoas iam pra guerra em busca de alguma coisa material. "Bárbaros" invadiam pq queriam terras, mulheres e dinheiro. Nobres medievais iam pra guerra pra ganhar terras e ouro. Os camponeses medievais iam pra guerra pq os nobres mandavam. E eles obedeciam os nobres pq sabiam q eles e a família deles estariam mais seguras sendo defendidas pelos nobres. Então era uma troca.

    Mas alguém se alistar na Legião Estrangeira e participar de guerras sem sentido (e que a pessoa não estaria envolvida de outra forma) não faz muito sentido pra mim. Qual o sentido de um brasileiro ir se juntar a um exército francês e participar de uma guerra no Mali? Não tem ouro envolvido. Não tem terras. Não tem mulheres. Não tem nenhum ganho material (pode ter algo psicológico envolvido, mas isso é forçação de barra da modernidade).

    Bom post. Fale sobre o globalismo e a guerra que estamos/vamos viver por causa dele.

    Abraço!

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    1. Obrigado pelo comentário Thiago, vejo da mesma forma que você, não vejo muito objetivo um brasileiro ir lutar por um país que não é o dele, numa guerra que não irá entender o real motivo. Pelo lado econômico, vejo que há outras formas de ganhar dinheiro (olhando o risco da própria vida num combate real) com custo benefício melhor.

      Agora se formos ver pelo lado de fazer algo diferente, ou sair um pouco do convencional, poderá fazer algum sentido. Grande abraço

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