segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A Decadência do Governo Temer

Sempre que você entra em uma negociação espúria com alguém, você sai perdendo. Perde porque sempre há a possibilidade de que essa negociação seja descoberta no futuro e o preço disso será muito caro. Quando alguém entra em uma negociação ilegal, esse alguém não adentra somente uma única negociação, mas acaba fazendo parte de uma rede criminosa e a detecção de uma terceira pessoa, desconhecida para a primeira, pode desencadear a detecção de toda rede criminosa.
Um colega de trabalho arranjou um "esquema" com uma funcionária corrupta da alfandega para passar livremente produtos contrabandeados pela fronteira. Ele ganhou uma quantia considerável de dinheiro e não conseguiu conter o entusiasmo, contou suas atividades ilegais e elas espalharam-se com o vento. Até que um belo dia ele recebeu uma amigável visita da Polícia Federal, perdeu o emprego e agora responde a um processinho criminal junto de sua comparsa.
Não era você o malandrão do pedaço?
Algo parecido aconteceu com Michel Temer, ele se envolveu em negociações com pessoas trambiqueiras e o preço disso apareceu com a delação da Odebrecht. Agora seu governo corre risco de não chegar até o final do mandato. A tese que ele sustentava no TSE contra a cassação da chapa eleitoral, que a campanha dele foi realizada à parte, está perdendo sustentação, visto que os indícios que ele recebeu ou pediu dinheiro ilegal são cada vez maiores. Lembro que em caso de cassação da chapa, a partir do terceiro ano do mandato (2017), é realizada uma eleição indireta e o próximo presidente seria uma incógnita.

Esqueçamos, por um momento, os erros e delitos cometidos anteriormente à presidência. Em minha opinião, o primeiro erro gravíssimo do Temer foi voltar atrás e desistir de acabar com o Ministério da Cultura. O segundo erro foi não acabar com as infames ocupações em escolas. Esses dois erros deram uma forte pista que ele é um presidente fraco, volta atrás e desiste de suas convicções quando pressionado. Em um dos primeiros posts do Capitalismus deixei minha opinião que o Brasil só renasceria caso fosse vencida a guerra cultural, mas Temer saiu desonrosamente desse campo de batalha e demonstrou fraqueza.

A área econômica sempre sai prejudicada com isso. Além de abalar a confiança dos empresários e receber menos investimentos, a crise na presidência também dificultará a aprovação da PEC da previdência social e também a do teto de gastos, embora já esteja quase aprovada. A aprovação dessas duas PECs é o mínimo para que o país possa voltar a crescer e entrar no caminho certo. Como sempre digo: é impossível que um país que arrecada quase 40% do PIB em impostos dê certo.

O futuro político do Brasil nos próximos anos permanece nebuloso e a permanência do Temer até o final do mandato já é bastante incerta. O julgamento no TSE demora, mas não precisa de aprovação da Câmara ou do Senado.

Façamos o Brasil Grande Novamente!

4 comentários:

  1. Mais do que na hora de tirar esse cara, ele se comporta praticamente como um monarca, encobre os todos os corruptos, teve coragem de dizer que prisão do Lula traria colapso na economia kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk olha a lógica: "lula roubou geral mas melhor não prendê-lo, deixe-o livre pra usufruir do roubo".

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    1. Salve, Lobo! Ele fez exatamente o oposto do que um bom monarca faria, porque o monarca sempre coloca a nação acima de qualquer necessidade pessoal dele, para mim ele age como comerciante árabe, que aceita qualquer negócio para aumentar seu lucro ou poder. Esse comentário sobre o Mulla foi de indignar, tinha até esquecido, bem lembrado.

      A maior vantagem da abreviação do mandato do Temer seria o aumento do descrédito dos políticos mainstream.

      Abraços!

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  2. Mesmo sabendo que talvez Bolsonaro não faça grande diferença , num caso de saida de Temer eu votaria nele mas acho bem improvavel que ele consiga apoio de algum partido

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    1. Saudações, Anon! Sem dúvida nenhuma eu votaria no Bolsonaro. A campanha dele seria o tostão contra o milhão, visto que a mídia e as corporações o odeiam, mesmo assim o Trump ganhou a eleição nos EUA, mas ele teve que usar seu próprio patrimônio para pagar boa parte da campanha e o Bolsonaro não tem esse recurso. A esperança dele será conseguir bastante apoio popular e uma coligação com, no mínimo, dois partidos médios. A eleição do Bolsonaro seria fundamental para quebrar o ciclo de poder atual e seria uma chance de salvação do Brasil.

      Abraços!

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