sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Comentários: Taesa 2T17

A Taesa (TAEE11) é uma empresa com resultados bastante previsíveis, porque a atividade dela é extremamente simples e tediosa: a manutenção de linhas de transmissão de energia. O lucro líquido da Taesa foi menor que nos últimos trimestres, somente 72M, porque o IGP-M recuou no último trimestre, como o valor das concessões é atualizado na demonstração de resultados, um IGP-M negativo significa depreciação de ativo financeiro de concessões. Nada para se preocupar quanto a isso, o efeito é apenas contábil.
Como expliquei no meu último post sobre a Taesa, há quase um ano atrás, o setor de energia elétrica é dividido em três segmentos e o segmento de transmissão, por sua vez, é dividido no Brasil em três tipos de concessão. A Taesa possui, ainda, a maior parte de suas concessões na Categoria II, mas ganhou vários leilões de transmissão Categoria III no período entre hoje e meu último post.
Como é bom investir em empresas tediosas
As concessões de Categoria II terão a RAP (receita anual permitida) reajustadas em menos 50% entre 2017 e 2021, quando acaba o período inicial de 15 anos previsto na concessão. Esse reajuste só terá impacto na geração de caixa da Taesa, porque os resultados já são ajustados segundo uma contabilidade que deixa "linear" a RAP da categoria II.

A Taesa não é uma empresa que poderá ter um crescimento vertiginoso, mas ela tem potencial de continuar gerando muito caixa e pagando bons dividendos. As linhas que estão em construção, vencidas nos últimos leilões, poderão manter a geração de caixa da Taesa, mesmo com a redução da RAP na Categoria II. A empresa também opera com um nível saudável de endividamento e a redução dos juros também diminuirá sensivelmente os juros pagos pela Taesa.
A Cemig é a maior acionista da Taesa, mas a Taesa não é uma empresa estatal, porque a Cemig não tem o controle da Taesa. Nos próximos meses pode acontecer a venda da participação da Cemig na Taesa para outra empresa, apesar de achar que tal fato não mudará muita coisa na Taesa, poderá ser um "driver" para que o mercado possa ver mais valor na Taesa.
Considero que a Taesa esteja favorável ao investimento nesse momento, ainda mais por ser uma empresa muito estável em um período em que o mercado está bastante valorizado de uma maneira geral. As empresas com receitas fixas, como a Taesa, tendem a subir menos em períodos de topo de mercado e cair bem menos nos fundos. Além disso, acredito que as novas concessões vão possibilitar a continuidade de pagamentos de dividendos maiores que 700M anuais nos próximos anos.

Taesa RI

4 comentários:

  1. Vi em um grupo o risco da receita cobrar IR sobre as UNITs com vendas abaixo de 20k. Já viu algo sobre isso?


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    1. Salve, Alison! Nunca ouvi falar sobre isso, porque as UNITs não deixam de ser ações. Acho que isso não passa de um boato.

      Abraços!

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  2. Quando você diz que "as novas concessões vão possibilitar a continuidade de pagamentos de dividendos maiores que 700M anuais nos próximos anos."
    A empresa não sofreria um pouco no quesito (distribuição de dividendos) nos próximos anos até as concessões novas incrementarem caixa, visto que elas demorariam entre 4 a 5 anos pra performar?

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    1. Salve, Aportador Indeciso! Pois bem, eu disse que eu acredito nisso, não tenho bola de cristal para saber ao certo o que acontecerá. Eu acho que a perda com a Categoria II diminuindo a RAP poderá a ser suplantada pela RAP das novas concessões Categoria III, como a Categoria II terá a RAP diminuída entre 2017 e 2021, será coincidente com o período em que as novas concessões da Categoria III começarão a operar.

      Abraços!

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