sexta-feira, 2 de junho de 2017

Bala-de-Prata nos Investimentos

Salve, confrades! Vou explicar nesse post um pouco mais sobre a estratégia da Bala-de-Prata que eu citei no último fechamento. A ideia básica desse tipo de estratégia é selecionar, por meio da análise fundamentalista, um grupo de empresas, por algum motivo, desprezadas pelo mercado em que é possível a retomada de crescimento da empresa ou um ajuste do valor das ações da empresa a um patamar justo.
É basicamente operar a ineficiência dos mercados.

Desenvolvi minha estratégia pessoal com base nos ensinamentos do Peter Lynch, o livro dele é muito bom nesse sentido. Lynch dá vários exemplos de empresas desconhecidas ou desprezadas em que foi possível encontrar uma ten-bagger, ação que multiplica o capital investido por 10 em dez anos.
A estratégia que desenvolvi envolve operar o "submundo" do mercado acionário. Assim como na Internet, em que existem os sites alcançados pelos mecanismos de busca e a Deep Web, a qual os mecanismos de busca convencionais não têm acesso, o submundo do mercado acionário também segue essa lógica. Os grandes fundos de investimento não podem investir nas ações com pouca liquidez do submundo, então elas tendem a ter preços muito mais subvalorizados.

A Unipar era um caso de empresa do "submundo" do mercado acionário, quando custava 4,40 reais em 2014 ela era totalmente desprezada, não era nem citada em portais de notícias. Agora que recuperou a lucratividade e fez um ótimo negócio comprando a Solvay Indupa, voltou às manchetes do jornalismo financeiro e já recebe recomendações de compra de casas de análise especializadas.

Nesse caso eu consegui agir como Smart Money, comprei muito antes do investimento ser visado pelo mercado.

Infelizmente, essa estratégia envolve a assunção de prejuízos, não dá para ter sucesso em todas as empresas que analisamos, porque não possuímos bola de cristal e os fundamentos futuros podem não se concretizar. Claro que se as estratégias forem bem planejadas, esse tipo de investimento pode dar muito lucro. No meu caso, eu estou ganhando 150% com a Unipar desde 2014, mas perdi cerca de 35% do investimento na infame Prumo, ou seja, o lucro cobriu com folga o prejuízo.

O princípio básico desse investimento é encontrar empresas com negócios rentáveis, mas que passam por alguma dificuldade temporária ou por causa do tamanho são desprezadas pelo mercado.
Essa estratégia só deve ser usada por investidores com conhecimento em análise fundamentalista, porque existem muitas empresas fraudulentas no submundo e que de tempos em tempos são infladas por alguma bolha. Recomendo antes ler a Tríade dos Investimentos: O Investidor Inteligente, Ações Comuns Lucros Extraordinários e O Jeito Peter Lynch de Investir, a qual abordei nos posts I e II sobre como comecei a estudar investimentos.

Para diminuir riscos não dá para concentrar muito capital inicialmente em uma só empresa. Eu começo com um grupo de empresas em que invisto pouco dinheiro e vou aumentando progressivamente conforme os resultados vão melhorando, se a empresa começar a se deteriorar, eu retiro meu capital.

Por fim, deixo minha homenagem ao ex-blogueiro Zé Mobral, que operava com maestria essa técnica há alguns anos atrás, lembro que ele analisava quase todas as Small Caps e, corretamente, peneirou a Bematech, embolsando um grande lucro nessa ação.

Abraços!

9 comentários:

  1. Lembro da estratégia do saudoso Zé Mobral.

    Na verdade o nome desta estratégia sempre foi conhecida nos EUA como operar empresas de Turn Around.

    O principal indicador usado neste tipo de analise

    - Lucro operacional EBIT
    - EBitda
    - Redução do endividamento
    - Aumento do market share
    - Fechamento de capital

    ETc

    O livro que saudoso Mobral recomendou: Investindo em Small caps do Autor Anderson Lueders.

    No mercado brasileiro temos grandes desconto em small caps, até mesmo nas famosas, mid, larg e blue chips. Tem que tomar muito cuidado para operar este tipo de estratégia, temos que estar preparado para grandes volatilidades da carteira, para cada empresa que da certo outras 3 ou mais devem ser severamente afetadas.









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    1. Salve, Mestre! Turn Around é só um dos tipos de empresas desprezadas pelo mercado. Grazziotin, por exemplo, sempre teve lucros consistentes e continua desprezada pelo mercado mesmo conseguindo margens mais altas do que as grandes empresas de varejo de vestuário.

      Não considero que Unipar foi um Turn Around, porque, tirando os eventos de 2008, a Carbocloro sempre deu lucro e continuou gerando muito caixa para a empresa. Um exemplo de Turn Around seria a Vulcabras que passou a dar lucro depois de vários anos seguidos de prejuízo.

      Sempre sou recomendado para ler o livro do Anderson Lueder, acho que vou encomendá-lo, estudo de qualidade nunca é demais.

      Não digo que a taxa de sucesso seria somente de 25%. Como não peneiro somente empresas Turn Around minha expectativa é de no mínimo 50% de sucesso.

      Abraços!

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  2. Parabens pelos resultados,

    Eu me lembro bem dessa estratégia do Zé Mobral, especialmente no foco no estudo dos resultados trimestrais.
    Só tem que tomar cuidado para não abraçar mico, igual um pessoal fez antigamente com a INEP4 rsrsrs ... De qualquer forma, seguindo os passos do mestre Mobral não tem erro!

    Achei bem interessante as referencias de leitura que você fez em outros posts, vou dar uma garimpada aqui nesse fim de semana.

    Te adicionei no meu blogroll

    Abs!

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    1. Salve, Kundera! Acho muito difícil não errarmos, sempre terei que assumir algum prejuízo, mas espero continuar ganhando aos baldes e perdendo de colher.

      Inepar estava na cara que era furada, a empresa nunca reportou um resultado decente.

      Vou lhe adicionar também. Abraços!

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  3. Opa...
    UNIP6, que empresa!!!
    Comprei em fevereiro deste ano na casa dos 7,00. E escreve aí, pois será uma boas empresas pagadoras de dividendos mais à frente.

    Abs,
    50segundos

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    1. Salve, 50 segundos! Também acredito nisso, seria ótimo se ela voltasse a lucrar mais de 200 milhões por ano como antes de 2008.

      Abraços!

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  4. Olá Marcelo!

    É interessante essa estratégia. Uma que traria prejuízo e se encaixa nela é a Kepler (KEPL3) Eu acabei entrando nela devido aos bons números que ela começou a apresentar. Porém, duraram muito pouco. Foi só eu entrar e acredito que no terceiro balanço o prejuízo veio. E pior, continuou vindo. Resultado, Preju!

    Mas como você disse, "não dá para ter sucesso em todas as empresas que analisamos"

    Bom post! Abraços!

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    1. Salve, Inglês! Também fiquei tentado a adquirir a Kepler, mas desisti quando percebi que grande parte do lucro veio do programa de armazenamento do BNDES e o orçamento público não tinha mais condições de sustentar gastos como esses.

      Às vezes há algum detalhe que deixamos de analisar e pode significar o sucesso ou fracasso de uma empresa.

      Abraços!

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    2. Perfeito! Eu não me aprofundei tanto no estudo dela. Mal sabia desse programa do BNDES. Ai fica difícil, não?

      Dai a importância de diversificar (no meu caso, ainda mais importante, pois nem sempre vou muito afundo nas analises)

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