O Petróleo é Nosso e é de Graça!

Ontem, dia 20 de abril, testemunhamos a negociação do contrato futuro de petróleo WTI para entrega física com valores muito negativos, ou seja, os compradores estavam sendo pagos para adquirir petróleo. A dinâmica dos preços do petróleo é muito complexa e eu mesmo já errei várias vezes nas minhas previsões sobre o preço do petróleo, mas a partir do cenário atual de preços é possível traçar alguns estudos sobre possíveis perspectivas futuras.
O que aconteceu ontem foi um "squeeze de estocagem" como era o último dia de negociação do contrato e quem permanecesse vendido no final do pregão deveria ter locais de estocagem para o petróleo, muita gente foi obrigada a vender o petróleo a qualquer preço para não receber pesadas multas. Quase todos os espaços de estocagem dos EUA estão cheios até a tampa, não há mais onde armazenar o petróleo produzido.

Minha perspectiva é que a produção vai cair, com ou sem acordo, por causa da diminuição do consumo e esgotamento dos locais de estocagem. Acordo é groselha nesse ponto. As empresas com pior financeiro e maior custo de extração vão quebrar, causando diminuição da oferta. Já o consumo deve aumentar progressivamente, assim que mais países saiam do lockdown.

Dessa forma, acredito que o petróleo WTI estabilize entre 30 e 40 dólares daqui poucos meses, com a saída do mercado dos produtores menos eficientes e aumento do consumo. Duvido que os preços do petróleo subam muito além disso, porque aí seria vantajoso para os produtores menos eficientes voltarem ao mercado e a produção subiria novamente.

Os custos de extração de petróleo diminuíram muito nos últimos anos e as reservas conhecidas cresceram. Acho que se provará errado o raciocínio de quem acredita que o petróleo voltará no futuro a preços de 100 dólares o barril. A menos que o dólar sofra uma forte crise inflacionária ou um squeeze inverso a este movimento, não creio que o barril chegue próximo a esse nível de preços. A dinâmica do Petrodólar pode estar ameaçada, mas precisaria de outro artigo para escrever sobre isso.

Como eu acredito que isso impacta o mercado?

O que tem o cu a ver com as calças? Vamos às análises coerentes:
Não acho ser vantajoso comprar empresas de petróleo da bolsa brasileira neste momento. Os preços das ações da PETR4, ENAT3 e PRIO3 já recuperaram bastante desde o fundo de março e acredito que existam oportunidades bem melhores (falei delas no último post). Se a B3 ainda tivesse futuros de petróleo, eu entraria comprado. Acho que o preço atual não se sustenta por mais de três semanas e invariavelmente vai subir.

O preço dos combustíveis pode cair mais um pouco, mas a parcela do preço referente ao refino e impostos não muda muito, então a gasolina e o diesel nunca irão custar zero mesmo se o barril está de graça. Dito isso, vejo oportunidade em comprar empresas que atuam no setor de transporte ou cujo frete impacta os lucros como JSLG3, TGMA3, JBSS3 e MRFG3, acredito que a diminuição nos preços dos combustíveis refinados também veio para ficar.

No cenário internacional, combustíveis mais baratos diminuem o incentivo para a adoção de carros elétricos e energias renováveis, o que tende a equilibrar a oferta x demanda do petróleo.

Também é uma ótima oportunidade para encher o tanque do carro antes que os preços internacionais recuperem.

Obs: "petróleo é nosso" obviamente não existe. O título é satírico.

ALEA IACTA EST

Comentários

  1. Agora o petróleo é graça? Pois agora eu não quero mais! kkkk....

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  2. Questão complexa e, infelizmente, não tao linear. Os procedimentos de restart das economias ainda não estão claros e deve levar bastante tempo até a estabilização dos preços. Os estoques estão imensos e a produção continua muito maior que a demanda (e deve continuar por pelo menos uns 3 meses). No final é um guerra de quem vai ficar em pé por mais tempo. Não acho que o preço vai estabilizar tao cedo em um patamar elevado. Concordo com vc que no médio e longo prazo os preço não sobem aos níveis pré-crise visto que o último homem de pé (Saudi Aramco) fará o controle dos preços e produção (lembrando que para partir uma planta há um custo elevado associado). Obviamente muita coisa deve afetar o preço como o (des)controle da doença, uma guerra contra a Arábia (faria sumir 10 milhões de barris) e o protecionismo (tarifas comerciais). Pena que a BR Distribuidora foi privatizada, neste momento ela serviria para repassar ao consumidor as quedas nos preços (agora estamos nas mãos dos cartéis dos postos), visto que a gasolina está perto de R$0,90 nas refinarias. Quando os preços subirem...

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    1. Não acho que a BR Distribuidora estatal serviria para abaixar na marra os preços dos combustíveis, no final é o posto que determina o preço. O consumo de combustível no Brasil deve ter caído 80% e para os postos conseguirem pagar seus custos fixos eles precisam compensar a diminuição da venda.

      Concordo quanto ao raciocínio macro do petróleo, mas acho que até julho o preço já estará no patamar da minha previsão.

      Abraço!

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    2. Seguindo essa lógica, não haveria porque diminuir o preço da gasolina na refinaria, visto que os custos são fixos...

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    3. Não. Porque o preço da gasolina na refinaria é formado por custo da matéria-prima (que caiu muito) e custos de refino (que não tiveram mudança significativa).

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    4. Mas o consumo também caiu na refinaria assim como nos postos...a razão para o preço cair na refinaria é que há concorrência internacional. Se a Petrobras não diminuir, as distribuidoras importam...no posto nao cai, pq há cartel! Lembrando que todos os custos da gasolina (frete e imposto) caem na mesma proporção...nessa privatização, perderam os consumidores e a Petrobras...

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    5. Os postos de gasolina sempre foram privados e sempre teve discussões sobre o preço. Já vi bastante posto quebrar, não acho que existe um cartel tão forte para aumentar os preços na marra, mas reconheço que os postos estão sofrendo com a queda do consumo e manutenção da folha de pagamento de funcionários.

      A equação é complexa, mas estatizar os postos e abaixar o preço na marra "a la Venezuela" é a pior solução.

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  3. Concordo que a pressao está grande, mas há o programa de proteção ao emprego e redução para minimizar os custos. A BR também detinha postos, nao falo em estatizar na marra. Se esses postos forçassem a redução, ela chegaria ao consumidor devido a concorrência. A ideia do livre mercado é boa, mas infelizmente nao funciona no Brasil...

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    1. Verdade que a BR tinha postos próprios, lembrei agora. De qualquer jeito, a ideia do estado intervencionista parece funcionar menos ainda no Brasil, visto o tamanho do roubo na Petrobras e outras empresas públicas.

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  4. olá Marcelão, tudo bem?
    Pois é, estado intervencionista DE VERDADE funcionaria em qualquer lugar no mundo, mas não é do Brasil, infelizmente.
    Veja, por exemplo, que a SELIC está em 3%a.a na data de hoje, mas eu, que possuo 'score' no Serasa 1000/1000, sem apresentar qualquer risco de inadimplência para o Banco, não consigo pegar um empréstimo por menos de 7.5% a.a. (exatamente a mesma taxa de juros que eu encontraria no meio do ano de 2017, por exemplo, quando a taxa SELIC estava em 10,25% a.a.)

    Ah, lembrando que esta taxa de 7.5% eu estou dizendo em relação a financiamento imobiliário, que é onde existe a menor taxa de juros no mercado.

    Onde entra a questão sobre um Estado intervencionista funcionar? Em exigir que os Bancos concedessem um empréstimo até certo limite ao consumidor. Mas aqui no Brasil o Estado prefere beijar a mão dos Bancos e oferecer um taxa mais vantajosa nos empréstimos compromissados. Logo, qualquer Banco se negará a conceder empréstimos a taxas normais de mercado.

    Recentemente conversei com uma amiga que trabalha no Credit Agrícole em outro país (na Ucrânia) e mostrei a ela a taxa que pagamos no cartão crédito (na época em 200%a.a.).
    Ela ficou espantada e não entendia o porquê dessa taxa de juros absurda se a inflação está baixa. Segundo ela, essa taxa de juros apenas se justificaria em um cenário de alta inflação (e realmente faz sentido a explicação dela).
    Então ela me informou que a taxa do rotativo do cartão de crédito é entre 20%-25%, sendo que na época a SELIC de lá estava em 11% (agora está em 8%).

    Então, meu caro, é esse o problema. Eu mesmo tenho muito interesse em pegar empréstimo e investir, mesmo nesse cenário de pandemia, mas ocorre que não é o Estado que me atrapalha, sim o 'financeirismo' dos Bancos, represando o capital improdutivo.

    Abraçao.
    Investidor Mineiro (deslogado)

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    1. Esse é um problema antigo do Brasil, mas está se resolvendo aos poucos com a desconcentração bancária. A concentração bancária brasileira entre 1980 e 2010 foi causada em parte pela intervenção do Estado no sistema bancário.

      Eu até acredito que a "estatização às avessas" tem até um certo fundamento econômico de curto e médio prazo, visto que ela funcionou na Alemanha Nacional Socialista e foi implantada em partes na China Comunista, mas os efeitos de longo prazo tendem a ser ruins e o efeito colateral é a redução da liberdade do povo.

      Abraços!

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  5. Vejo aqui uma corrente estadista, dizendo que o preço seria mais baixo se a BR Distribuidora fosse estatal.
    Três erros:
    1- O preço na refinaria estava em R$0,91 centavos antes dos impostos (inclusive os federais). Então parem de acreditar em qualquer tuíte do Bozo. Ele é tão cara de pau que joga um valor sem colocar ao menos os impostos federais (PIS, COFINS e ISS) que são maiores que os estaduais (ICMS).
    2 - É muito difícil manter um cartel com uma oferta muito grande de postos. Aqui em Brasília até tentaram durante um tempo, mas já foi por água abaixo. Imagina você levando ferro no mercado e não podendo usar o único artifício para te manter vivo (o preço).
    3 - Na teoria, em um país sério, uma empresa estatal deveria levar preços mínimos para o consumidor. No Brasil temos estabilidade do servidor (Ahhh... mas empresa estatal é CELETISTA!!! Me aponte um conhecido seu que já foi demitido de uma empresa estatal e que não tenha feito muita, muita, muita merda) e o gerenciamento feito por políticos loucos por contratos superfaturados. Talvez no futuro quando a população brasileira parar de colocar tanto meganha no congresso quem sabe isso funcione.

    Abraços

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    1. Acredito que empresa estatal nunca vai ser competitiva no Brasil. Até a Imbel que fazia armas de boa qualidade tá tomando uma surra da Taurus nos últimos anos.

      Até agora a corrente das estatais atrasou muito o Brasil.

      Abraços!

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  6. Acabei caindo nesse blog, mas infelizmente o post muito simplório.
    1. Não é pq a principal petroleira brasileira (Petrobras) é estatal que os preços deveriam ser subsidiados. Na verdade, o mercado foi aberto completamente em 1997 (FHC) e desde então há concorrência. Não faz sentido falar em controle de preços pela estatal SE o mercado foi aberto. Ou é um ou é outro. Impossível ter os dois.
    63 empresas produzem petróleo/gás no Brasil.
    Tabela 2.11 – Produção de petróleo e gás natural, por concessionário
    http://www.anp.gov.br/publicacoes/anuario-estatistico/5237-anuario-estatistico-2019

    2. O preço dos combustíveis nas REFINARIAS são determinados pelo preço internacional ( competição). Se o preço na REFINARIA ficar acima do preço internacional, as distribuidoras vão importar e a REFINARIA não vai conseguir vender. Simples assim.

    3. A gasolina pura é vendida na refinaria por cerca de 1 real o litro!!!
    No posto custa quase R$ 5 devido aos IMPOSTOS, quase METADE do preço:
    Federais: CIDE, PIS e COFINS
    Estaduais: ICMS (variam entre 18 a 34% sobre o valor FINAL da venda no posto)
    http://www.petrobras.com.br/pt/produtos-e-servicos/precos-de-venda-as-distribuidoras/

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    1. Sim, o post é simplório mesmo e não era minha intenção escrever um tratado sobre exploração de óleo e gás.

      1- Faz sentido falar em controle de preços pela estatal até pouco tempo atrás porque a política de preços da Petrobras foi utilizada para fins políticos em todo o mandato da Dilma. Eu me lembro muito bem da Petrobras tomando prejuízo quando o petróleo estava caro e ela vendia barato e também na situação inversa, vendendo caro quando o preço estava barato.

      2- Eu lembro que isso já aconteceu no Brasil, mas a importação foi pequena, porque as distribuidoras não possuem infraestrutura portuária para fazer esta operação.

      3- O 3 eu nem disse no texto, porque até o Papa já sabe.

      Abraços!

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