segunda-feira, 10 de julho de 2017

Comentários CGRA3 - GRUPO GRAZZIOTIN


Fala, galera. Complementando os posts sobre o Grupo Grazziotin, hoje continuarei abordando essa empresa, não como uma dica de investimento, mas para elencar alguns aspectos para quem busca investir nas ações do Grupo. Muitas das informações foram retiradas do próprio RI da empresa, fiz uma compilação e abordarei alguns aspectos importantes para o futuro investidor.

CENÁRIO ECONÔMICO



O desequilíbrio no campo político e o desaquecimento da economia brasileira, acarretou num aumento da incerteza do mercado. A inflação alta, juros altos e queda da confiança dos empresários e consumidores tem impactado os últimos resultados da empresa. Nesse panorama, o consumidor com a renda comprometida e endividado, acaba por reduzir o nível de consumo, principalmente em relação aos segmentos de vestuário e utilidades domésticas. O consumidor, apesar de reduzir o consumo por bens não duráveis, não deixa de comprar mesmo numa situação em que seu poder aquisitivo é diminuído.

GRAZZIOTIN E A INFLUÊNCIA DO DÓLAR

A moeda brasileira tem sofrido desvalorizações recorrentes com relação ao Dólar e outras moedas fortes ao longo das últimas décadas. A Companhia não pode assegurar que a desvalorização ou a valorização do Real frente ao Dólar e outras moedas não terá um efeito adverso nos seus negócios, pois tais atitudes podem criar pressões inflacionárias adicionais no Brasil, por meio do aumento, de modo geral, de preços, corroendo a renda dos trabalhadores. Ainda, tais desvalorizações podem acarretar aumentos das taxas de juros, podendo afetar de modo negativo o resultado das operações. Com a queda do dólar, nos últimos anos, os preços dos produtos Grazziotin não ficaram mais baratos na mesma proporção.

TAXAS DE JUROS E INFLUÊNCIA NO GRUPO

As operações do Grupo Grazziotin são diretamente afetados pelas condições econômicas do país, e em especial, pela política governamental, taxas de juros, inflação e normas tributárias. Para a operação de seus negócios, bem como a expansão de suas atividades, as principais fontes de recursos financeiros

utilizados pela Companhia residem no volume de recursos advindos da comercialização dos seus produtos com a característica de forte geração de caixa e baixa inadimplência.

Com a subida ou queda da taxa básica de juros, há um impacto na venda a prazo aos clientes, visto que terão que assumir maiores taxas de juros quando na compra parcelada. A empresa trabalha com a filosofia de 90 dias de prazo para pagamento dos produtos adquiridos pelo consumidor. Com o aumento da taxa básica de juros, há uma maior preocupação e controle do Grupo na concessão de crédito com o intuito de coibir a inadimplência.

Com relação ao dinheiro destinado a aplicações financeiras, as mudanças da taxa SELIC, aumentam ou reduzem o ganho em aplicações financeiras. As disponibilidades são aplicadas em CDB, ou equivalentes, em taxas próxima a SELIC. 

ELASTICIDADE DA DEMANDA

O setor varejista de roupas tem sido suscetível a períodos de desaquecimento econômico que levaram à diminuição nos gastos dos consumidores. As decisões de compra dos consumidores em geral são afetadas por diversos fatores, como taxas de juros, inflação, disponibilidade de crédito ao consumidor, tributação, níveis de emprego, confiança do consumidor e salários. Esses fatores têm afetado de forma mais significativa a população de baixa renda, que é mais sensível a alterações no nível de renda. 

Devido ao impacto que uma crise econômica pode ter no mercado consumidor e ao fato de que gastos com vestuário podem ser considerados supérfluos durante períodos de restrições no orçamento familiar, uma crise econômica pode desestimular o consumo pessoal ou limitar sua capacidade de endividamento. Em tais casos, a demanda pelos produtos do Grupo é reduzida.

A sazonalidade é marcada pelas estações de inverno e verão. Os meses com maior demanda são maio (dia das mães) e dezembro (natal). Os meses com demanda mais lenta são fevereiro e setembro. Nesta época o varejo é fértil com as promoções e liquidação de produtos sazonais, onde as margens brutas são reduzidas

COMPETIÇÃO

O varejo é extremamente competitivo, pois impera a livre iniciativa

O setor de varejo de roupas no Brasil é altamente competitivo. A concorrência é caracterizada por muitos fatores, dentre eles, destacam-se a variedade de mercadorias, o número de lojas, propaganda, preços, descontos, qualidade das mercadorias, atendimento, localização das lojas, disponibilidade e facilidade de crédito para o consumidor. O mercado informal é vasto, tanto pela parte dos clientes (sem renda fixa e sem carteira assinada), pela parte da indústria (informal) como na distribuição (vendedor ambulante). 

Os sistemas tributário e jurídico e da fiscalização, por parte das autoridades, do cumprimento fiel de leis, especialmente as fiscais, trabalhistas e previdenciárias representam elevados custos para os negócios. Os benefícios fiscais, para as micro empresas, incentivam sua proliferação. Pequenas redes regionais surgiram e estão se expandindo, somado a isso, grandes redes estão acelerando o processo de expansão. Multinacionais estão se instalando, comprando redes locais. A agressividade das empresas de cartão de crédito, auxilia muitos pequenos lojistas, que não contam com sistemas de crédito e cobrança.

INVESTIMENTOS

As empresas necessitam de recursos para manutenção das lojas físicas, investimento em treinamento de pessoal e desenvolvimento de produtos. Os investimentos nos prédios são principalmente para manutenção e conservação do patrimônio. Como são mais de 300 lojas espalhadas pela região sul, necessitam de recursos para manter todos as unidades em funcionamento condizente com o setor de atuação. 

A expansão de novas lojas, inicialmente, foi essencial para alcançar cidades de médio e pequeno porte. Como a marca já está estabelecida em diversas cidades, através desta expansão inicial, não se necessitam de tantos recursos na abertura de novas unidades. Com a crise dos últimos 2 anos, o Grupo Grazziotin procurou um estágio de manutenção e/ou fechamento de algumas unidades a fim de adequação ao mercado consumidor.

FUTURO?

O modelo de negócios regional da companhia vem apresentando bons resultados e permite que ela continue reportando lucros mesmo com a concorrência no setor de vestuários e utilidades domésticas. A expectativa no curto prazo foi analisada como MÉDIA, em virtude das indefinições políticas e econômicas do Governo. 

Como a demanda está diretamente vinculada ao poder aquisitivo da população, caso haja um reaquecimento de nossa economia poderia esperar um crescimento acima da média. Neste momento, porém, prefiro ser mais conservador em virtude da desconfiança de uma melhora a curto prazo de nossa economia (dependendo de reformas trabalhistas, previdenciárias, etc). Por enquanto, os resultados devem continuar vindo no mesmo nível, mas eles podem melhorar caso a recuperação econômica aconteça.

QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS EMPRESAS DO GRUPO GRAZZIOTIN?

A empresa tem força regional no varejo de vestuário na região Sul, oferece produtos baratos e é extremamente competitiva. A empresa possui três marcas de varejo de vestuário: Grazziotin, Pormenos e Franco Giorgi, e uma marca de varejo de material de construção, a Tottal Casa & Conforto, loja especializada em utensílios e utilidades domésticas. Além disso, possui as seguintes empresas e participações: Centro Shopping em Porto Alegre, 50% da Grato Agropecuária na Bahia, Floresta Grazziotin no Rio Grande do Sul e a Grazziotin Financiadora, que financia os clientes das operações de varejo. 



Principais:

Grazziotin: Loja de vestuário e decoração para casa. Produtos de preço baixo e crediário facilitado.

Pormenos: Atua no segmento de linha íntima, confecções, calçados, cama, mesa e banho. Tem como público-alvo o varejo popular, sendo em sua maioria, mulheres que compram para toda a família.

Tottal Casa e Conforto: Foco em comercializar produtos de utilidades do lar, nos setores de cama, mesa e banho. Direcionamento para produtos com qualidade e preços competitivos.

A Franco Giorgi: Marca própria de moda masculina


VISÃO DE MERCADO

No segmento de roupas, os produtos mudam a cada estação, tanto pela alteração nos modelos, como nos tecidos e nas texturas. Tais alterações, não permitem comparativos de um período para o outro, pois estão envolvidos custos de pessoal, matérias primas e tributos, inerentes ao processo produtivo e ao processo tributário variáveis a cada fornecedor. Os produtos da marca são de origem nacional e a política de preços ao consumidor não leva em conta as variações cambiais. Os volumes têm crescido de acordo com o crescimento da Companhia. Os preços dos produtos no inverno, são bem mais elevados do que os preços dos produtos no verão.

As preferências do consumidor, se alteram ao longo dos tempos. Mesmo durante uma estação (verão ou inverno), o Grupo está atento a estas mudanças, com mercadorias a preços atrativos e em modelagem que os atenda (cor, tamanho, e outros).

A Grazziotin afirma não identificar tendências na mesma velocidade em que elas ocorrem e os fornecedoresnão estão aparelhados a dar um suporte rápido no caso de demandas adicionais. Como resultado disso tudo, o Grupo tem que baixar preços dos produtos, resultando em menores margens e vendas por falta de produtos. 

O sucesso financeiro depende da habilidade de antecipar e responder rapidamente a essas mudanças e tendências, bem como às preferências do cliente. Se não mudarem seus produtos para adequá-los aos gostos do cliente, poderão deixar a mercadoria em estoque e não vendê-las a um valor lucrativo, assim como perder vendas.


FORNECEDORES

A empresa não tem produção própria, desta forma, produtos são adquiridos, em sua totalidade, de 500 fornecedores no mercado interno. Estes fornecedores são escolhidos pela localização geográfica (inclusive nos aspectos de créditos fiscais), pela qualidade de seus produtos, condições de fornecimento, atendimento das necessidades de logística, produtos com baixo preço e possibilidade de competir no mercado.

Os produtos são escolhidos em visitas a feiras, fornecedores e no acompanhamento da tendência do

mercado consumidor. Desta forma, não há um fornecedor que possa influenciar diretamente no preço do produto, tampouco modificar a política de pagamento da empresa que gira em torno de 90 dias.


CLIENTES

Com relação aos clientes, a carteira é bastante pulverizada. Não há um modelo padronizado de negócio, pois as lojas podem ser pequenas ou grandes, de um proprietário e/ou familiares, de rua ou shopping, pertencentes a redes grandes ou pequenas ou podem vender sortimento limitado ou grande variedade. Particularmente, acredito que isso seja um diferencial, pois ela procura atender em disponibilidade nos pontos de venda, focando em velocidade nas operações e facilidade no crédito.



Não existem clientes representando por mais de 10% da receita liquida e no segmento operacional não possuem dependência de nenhum cliente especifico. Em regra, a Companhia normalmente trabalha com a filosofia de 90 dias de prazo para pagamento de seus fornecedores, prazo este, semelhante aos concedidos aos seus clientes para pagamento dos produtos adquiridos.


CONCLUSÃO

Considerando o seu perfil de endividamento, seu fluxo de caixa e posição de liquidez, o Grupo Grazziotin tem liquidez e recursos de capital para cobrir os investimentos, despesas, dívidas e outros valores e ainda recursos suficientes para remunerar acionistas e investidores. Apesar de atuar num ramo bastante competitivo, a Grazziotin consegue atuar mesmo com outros concorrentes no setor através de uma competição estável na região sul. As margens e lucros estão constantes, ou seja, conseguem trazer retorno aos acionistas e, é uma empresa que não está exposta a dívidas que possam prejudicar a empresa no curto/médio prazo. Através disso, poderíamos classificar a Grazziotin como vaca leiteira (estabelidade), por estar estável no mercado e conseguir se adaptar a cenários competitivos (aumento da margem e aumento da receita, mesmo na crise dos últimos 2 anos). Não classificaria a empresa como abacaxi. Além disso, não visualizo o Grupo Grazziotin como estrela, visto que não há altas margens, alto crescimento e alta lucratividade, por se tratar de um setor bastante competitivo. A empresa consegue atuar em média de mercado com o os concorrentes do setor.

Verifico que a empresa possui potencial para maior crescimento com a recuperação da economia em curso, visto que apresentou no 1 Trimestre de 2017 um aumento das receitas e contenção de despesas, mesmo com uma das piores recessões da economia brasileira. É um Grupo que utiliza, em grande maioria, de recursos próprios na expansão, investimentos e capacitação dos funcionários e não busca se alavancar na ampliação de sua rede. 

O Grupo Grazziotin, através das suas principais lojas, Grazziotin, Pormenos,Tottal Casa e Conforto e Franco Giorgi busca estar atendo a variações do mercado consumidor, através do lançamento de novos produtos ou adequação na reposição de mercadorias e utilidades domésticas. Nos últimos anos, a receita líquida cresceu constantemente e a margem se manteve num patamar em média com o mercado brasileiro. A margem bruta manteve-se estável em cerca de 50% e a margem EBITA em cerca de 14%.

Verifico que há mais margem para expansão da marca no longo prazo e, no curto prazo, da manutenção dos resultados considerados até o presente momento.

2 comentários:

  1. Gregório,

    Seu resumo ficou bastante completo, parabéns. Sou suspeito para falar, mas esta é uma empresa bastante interessante que está fora dos radares do mercado. Teve um desempenho extremamente consistente na crise, tendo a melhor performance do setor —claro, em parte devido ao favorecimento que seu tamanho proporciona.

    Como acompanho-a a algum tempo, posso dizer que a administração é muito boa, sempre tomando decisões sensatas e conservadoras, tanto em relação a expansão, quanto em dissolução de ativos e desligamento de unidades não lucrativas. O grande trunfo para o bom desempenho nesta crise foi o fortalecimento do caixa (estratégia também adotada pela ótima Grendene), o que naturalmente gerou algumas críticas de investidores insensatos (na minha modesta opinião).

    Eu costumo dizer que a Grazziotin é administrada exatamente da forma como eu administraria minha própria empresa, portanto, minha visão sobre ela é extremamente positiva.

    Abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigado Pretenso Milionário, vamos analisar os próximos resultados para ver um possível aumento dos lucros com o reaquecimento econômico e expansão do consumo. Ter um caixa robusto e sem dívidas é essencial num período de crise econômica, como você mesmo disse, é muito bem administrada.
      abraço!

      Excluir