quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Mévio - Operação de Risco Ilimitado

Eu gosto de utilizar alguns conceitos do mercado financeiro para me orientar nas decisões de minha vida pessoal. O conjunto de técnicas para operar o mercado financeiro poderiam ser resumidas a apenas Administração de Riscos e é exatamente esse o principal conceito que eu levo do mercado financeiro para minha vida.
No mercado financeiro, assim como nos outros aspectos de nossas vidas, nunca se deve montar uma Operação de Risco Ilimitado. Um exemplo desse tipo de operação é a venda a descoberto (sem a ação) de pó de opções (opções que valem poucos centavos), esse é o tipo de operação que o operador pode ganhar 100 vezes seguidas, mas na vez que ele perde o prejuízo é tão grande que ele quebra. Quando a Petrobras descobriu o pré-sal as ações valorizaram muito e alguns pó de opções foram exercidos, alguns operadores que montavam esse tipo de operação perderam quase todo o patrimônio que demoraram anos para juntar.

Onde fica o Mévio nessa história?


Pois bem, o Mévio dessa história era um de meus superiores na empresa em que trabalhava há alguns anos atrás, era o típico cara que gostava de contar vantagem: pegava muita mulher, tinha um Hyundai i30 zero quilômetros e ainda era um excelente investidor (comprou um apartamento financiado na planta* no auge da especulação imobiliária).

Mais uma vez, o Mévio dessa história não tinha um controle etílico muito bom e resolveu ir para a balada para demonstrar sua impressionante capacidade de atrair a atenção do mulherio (nesse caso são merdalheres e diabolheres que frequentam esses locais).

O final é clássico: Mévio montou uma Operação de Risco Ilimitado para voltar para casa, elevou tanto a quantidade de etanol no corpo ao ponto de capotar o seu belo Hyundai i30 novo em uma rotatória.
O ponto principal é que o Mévio já tinha feito essa Operação de Risco Ilimitado várias vezes, mas a única vez que deu errado ele tomou um prejuízo imenso: perdeu o valor inteiro do carro que não tinha seguro e, por sorte, escapou sem nenhum ferimento nele próprio, destruição de propriedade de terceiros e também não foi autuado pela polícia.

Conclusões


Alguns podem perguntar: "mas não seria bem melhor se o Mévio tivesse seguro?" Pode até ser mais fácil, mas não seria muito mais prudente se ele não ficasse alucinado com álcool e ainda resolvesse dirigir para casa e repetir essa operação inúmeras vezes até dar errado?

Também já fiz algumas operações de risco ilimitado em minha vida, claro que com prejuízos muito menores do que o assumido pelo Mévio. Já bati o carro por dirigir de forma imprudente, embora não estivesse alcoolizado, é outra típica Operação de Risco Ilimitado:
Possível ganho: chegar 5 minutos antes do previsto no destino.
Possível prejuízo: bater o veículo e pagar danos no seu carro e a terceiros e ainda correr o risco de morrer ou ferir-se gravemente.

Isso pode dar certo mais de 100 vezes, mas uma vez que dá errado você toma um prejuízo tão grande que acaba com todo seu ganho acumulado e você ainda perde muito. Dessa vez, mesmo assim, o custo dos reparos ainda ficou menos que o prêmio anual do seguro.

É importantíssimo sempre analisar as nossas ações e verificar se estamos incorrendo no erro de montar uma Operação de Risco Ilimitado, ás vezes só damos conta do risco que assumimos após tomarmos um prejuízo.

*Imóvel na planta = Imóvel pra anta.

8 comentários:

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  2. Poxa, mas tinha que ser um i30?Bem pelo menos nunca bati com ele.

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    1. Pois é, Sandman, um enorme prejuízo para o Mévio.

      Abraços!

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  3. Muito boa a analogia.

    É muito difícil manter o foco no cenário de prejuízo quando nos sentimos bem de ganhar os 5 minutinhos, mas é isso que faz a diferença. Se fosse fácil, todos fariam.

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    1. Saudações, Bruno! Treinar a mente para analisar rapidamente as situações de risco é, realmente, a maior dificuldade para diminuir os riscos. Demora algum tempo e, talvez, alguns erros e prejuízos para que consigamos melhorar essa prática.

      Abraços!

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  4. Acredito que é muito importante a gestão de risco na carteira. O Blog do Investidor de Risco fez postagens recentemente sobre isso.

    Eu estou lendo sobre "Tail Hedge Portfolio", vou fazer algumas simulações para analisar se as vantagens superam os custos da operação de hedge. Talvez seria interessante vocês abordarem esses assuntos também.

    Abraços

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    1. Grande, Aportador! Obrigado pela sugestão, vou dar uma pesquisada nesses assuntos.

      Abraços!

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